A Ferrari está na frente, ao menos nas pistas lentas

liviooricchio

22 de janeiro de 2008 | 19h41

22/I/08
Olá amigos.

Li todos os posts, como sempre. Desta vez, porém, o exercício é um tanto distinto. Vou escrever depois de ler as opiniões sobre o tema do post, o dia de treino coletivo em Valência. Normalmente nossa brincadeira aqui funciona ao contrário: eu escrevo algo, daqui da redação do Estadão, dos autódromos ou mesmo de aeroportos e hotéis e o pessoal que acessa o blog comenta.

A Ferrari de novo mostrou, como já havia dado evidências em Jerez de la Frontera, semana passada, de ter concebido um belo projeto. Não vamos nos precipitar. Há elementos nesses dois testes que favoreceram o desempenho do modelo F2008, de Nicolas Tombazis e Aldo Costa, sob a consultoria de Rory Byrne. Conheço bem os dois traçados, ambos são de média para baix a velocidade. Em Jerez há hoje apenas uma curva razoavelmente rápida enquanto em Valência, apenas a que se segue ao fim da reta dos boxes é veloz.

Ao reduzir a distância entre-eixos do carro, associada a outras mudanças complementares, a Ferrari visou melhorar sua performance em pistas lentas. Quem se lembra do que aconteceu ano passado na corrida de Mônaco ou da Hungria? Foram os GPs onde a vantagem da McLaren foi maior.

Os resultados dos ensaios em Jerez e ontem em Valência são conclusivos quanto a esse quesito: o modelo F2008 é mais eficiente que seu antecessor nesse tipo de traçado. O próprio Massa já sinalizou essa característica. Confesso estar curioso para ver como será o desempenho da nova Ferrari em Barcelona, com suas curvas longas e algumas de alta velocidade, onde o modelo F2007 mostrava-se bastante eficiente.

O teste no Circuito da Catalunha nos responderá se a Ferrari melhorou sua performance nas pistas lentas sem prejuízo, ao menos comprometedor, do que pode fazer nos traçados velozes. O F2008 também já deu sinais de ser mais confiável que o F2007, razão de a Ferrari quase perder a disputa para a McLaren. Massa cometeu alguns erros no início da temporada, mas foram principalmente as falhas no seu equipamento na Austrália, Inglaterra, Hungria e Itália que acabaram por comprometer sua chance de lutar pelo título nas etapas finais.

Uau, Nico Rosberg registrou o terceiro melhor tempo do dia durante um long run, ou seja, estava na pista para uma série de cerca de 20 voltas. O nível de combustível pode até ter baixado, claro, mas seus pneus permitiam tempos bem piores que os pilotos que os substituíram por novos. É apenas uma primeira impressão, mas bem positiva: o modelo FW30 dá toda pinta de ter nascido bem. Torço por isso.

As diferenças impostas por Massa e Raikkonen aos pilotos da McLaren, hoje, não parecem representar a distância que possa existir entre as duas equipes. A melhor Ferrari, a de Massa, fez 1min12s182 (97 voltas). A melhor McLaren, a de Heikki Kovalainen, marcou o quarto tempo, 1min13s026 (100). De Massa para Kovalainen são 844 milésimos de segundo. Considero muito.

Os indícios são de que nesse tipo de circuito a Ferrari sugere estar, nessa fase da preparação, melhor que todos, mas não a ponto de colocar quase um segundo na McLaren. Atribuo às muitas variáveis desses testes, como a hora do dia para a obtenção do tempo, estado dos pneus, experimentos de acerto do carro, nível de combustível, dentre outros, parte dessa diferença.

Continuo com a minha tese de que, sem Fernando Alonso, a McLaren perderá mais do que imagina. Posso me enganar, óbvio, mas principalmente no começo do campeonato o time da Mercedes talvez não mostre a mesma força impressionante do ano passado.

Nada menos de 35 mil pessoas, ao menos a maioria, foram ver Fernando Alonso no circuito Ricardo Tormo. O espanhol completou 133 voltas no traçado de 4.005 metros, ou 532 quilômetros, quase dois GPs, com o modelo R28. No fim, a minutos da bandeirada, um problema, provavelmente de motor, o fez parar na pista. Apesar do sexto tempo, 1min13s316, Alonso demonstrou confiança no carro.

Não temos maiores informações das condições do modelo 2008 da Renault. A rigor, foi seu primeiro ensaio prático, já que ontem em razão das condições do clima e do asfalto Alonso andou pouco. Antes de começarmos a desenhar o estágio da escuderia francesa nesse início de testes de inverno convém esperarmos pelo menos até quinta-feira, quando será a vez de Nelsinho Piquet pilotar o R28.

O mesmo raciocínio vale para os carros da BMW, que ontem, não sabemos a razão, não foi veloz, da Red Bull e da Toyota, embora a equipe japonesa, como em Jerez, tenha registrado sempre tempos bem aquém dos seus concorrentes. Amanhã teremos mais dados para essas interpretações conjuntas do ensaio.

Abraços!

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