A Fórmula 1 aplaude Kubica

liviooricchio

05 de abril de 2008 | 12h11

05/IV/08
GP de Bahrein
Livio Oricchio, de Manama

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Se existe um piloto que tem torcida dentro da Fórmula 1, até mesmo em equipes adversárias, é o polonês Robert Kubica. Pois ontem esse jovem de 23 anos e enorme talento fez história: estabeleceu no GP de Bahrein a primeira pole position da carreira, bem como de seu time, BMW, além de ser o primeiro representante da ex-Cortina de Ferro a largar em primeiro na Fórmula 1. “Era para ter conquistado a pole na Austrália e nem acreditava que conseguiria aqui por um pequeno erro na curva 9, mas mesmo assim deu certo, é fantástico”, afirmou Kubica.

Antes de a classificação começar, ontem, no circuito de Sakhir, ninguém acreditava que a pole não ficaria com Felipe Massa, da Ferrari. Ele dominou os dois treinos da sexta-feira e ficou em segundo no treino livre da manhã, ontem. Mas Massa acabou em segundo. “Não tive uma volta limpa, o Fernando Alonso (Renault) cometeu pequeno erro na curva 9, o ultrapassei, mas perdi tempo”, explicou. Massa registrou 1min33s123 diante de 1min33s096 do polonês.

“Não estou frustrado, mostramos que nosso ritmo aqui é muito forte.” Em condições normais, a Ferrari deu mostras de ser quase meio segundo mais rápida que os concorrentes, como já havia sido na Malásia. “Tentar a ultrapassagem no Kubica? Se estiver mesmo mais veloz, sim, mas se o risco for grande, não.” Há indícios de que o polonês deva fazer seu primeiro pit stop pelo menos uma volta antes, o que daria a oportunidade de Massa o ultrapassar, como fez Kimi Raikkonen com o próprio Massa na Malásia. O brasileiro sabe não poder expor-se à possibilidade de não marcar pontos de novo, como em Melbourne e Sepang, quando errou.

O líder do Mundial, Lewis Hamilton, mudou de carro depois do acidente de ontem que semidestruiu sua McLaren. Vai largar em terceiro. “A batida não mexeu comigo, passava até mais rápido lá (curva 6), hoje, que ontem.” Afirmou confiar na sua estratégia, dando a entender que talvez pare um pouco mais tarde, apesar de poucos acreditarem. Quem não se deu muito bem no fim de semana até ontem foi Raikkonen, quarto no grid. Esteve sempre mais lento que Massa. “Não estou feliz com o acerto do meu carro.” Mas Raikkonen é do tipo de dar o bote na hora certa: na corrida. Apesar de estar em quarto, deve lutar pela vitória.

Na sequência, classificaram-se Heikki Kovalainen, da McLaren, quinto, e Nick Heidfeld, BMW, sexto. As duas escuderias concorrem por milésimos de segundo, a exemplo da etapa da Malásia. Se a Ferrari confirmar sua vantagem hoje, como os treinos sugeriram, seus quatro pilotos brigarão pelas posições de terceiro a sexto. E deverá ser assim ao longo da maior parte das 57 voltas da corrida, hoje, com largada às 8h30 e transmissão ao vivo pela TV Globo.

O 12º lugar de Rubens Barrichello, da Honda, atesta, segundo disse, a evolução do time japonês. Seu companheiro, Jenson Button, foi um pouco melhor, nono. E Nelsinho Piquet, da Renault, comentou estar desapontado com o fato de não passar para a parte final do treino, onde chegam os dez mais rápidos, o que seu parceiro, Fernando Alonso, conseguiu. “Minha volta lançada não foi perfeita.” Assim, largará em 14º. Alonso, em nono.

Desde o início da manhã a imprensa brasileira foi questionada por boa parte dos jornalistas estrangeiros a respeito da posição da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), de apoio ao presidente da FIA, Max Mosley, no escândalo em que se envolveu. O presidente da CBA, Paulo Scaglione, acha que Mosley tem direito de ter sua vida privada e, se desejar, continuar à frente da FIA. É uma postura contrária à maioria.

FIM

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