A hira da verdade para Lewis Hamilton

liviooricchio

08 de outubro de 2007 | 12h07

08/X/07
Olá amigos. Fiz um pit stop aqui no aeroporto de Hong Kong, procedente de Xangai. Precisei do dia todo para viajar. O aeroporto de Pudong, em Xangai, estava o caos por causa do tufão. O pegamos ontem à noite no autódromo ainda. Foi coisa séria. Chegasse de tarde, não haveria corrida.
Postei esse texto sobre o que Hamilton terá de encarar no Brasil. Estou embarcando para Johanesburg, África do Sul. Nos falamos de lá´.
Grande abraço. Corridona na China, não?

Lewis Hamilton já mostrou, este ano, ser piloto dos mais velozes, constante e capaz de não se assustar, apesar de estreante na competição, no confronto com um bicampeão do mundo com o mesmo carro. Dias 19, 20 e 21 terá de provar, no GP do Brasil, uma característica que ainda ninguém sabe se tem: saber administrar um erro.

E será uma prova de fogo porque a corrida decide o título mundial. Até a prova do Japão, Hamilton disputou 15 etapas na Fórmula 1 e em nenhuma delas cometeu erros comprometedores, sem nunca ter estado em algumas das pistas. Foram nada menos de 12 pódios e 4 pontos na Turquia e 5 na Bélgica. Só uma ocasião, GP da Europa, em Nurburgring, não se classificou entre os 8 primeiros.

Os equívocos na pilotagem não foram relevantes. Por exemplo, o cometido no GP de Mônaco, no treino de quinta-feira, quando bateu na grade da curva Sainte Devote. Disputou, no entanto, normalmente a sequência da programação. No GP da Austrália, na sua estréia na Fórmula 1, manteve Fernando Alonso sob pressão boa parte da corrida na luta pelo segundo lugar. E mesmo lá não teve o menor deslize. Impressionou a todos.

De um extremo para outro no calendário, Hamilton terá de também saber gerenciar o desafio nada pequeno que enfrentará em São Paulo, na corrida que apontará o campeão do mundo. Ninguém sabe qual será sua reação depois de abandonar uma prova por um erro seu e da McLaren. Hamilton sabe no seu íntimo que apesar de a ordem para substituir os pneus não ter vindo, no fundo cabe ao piloto compreender as suas condições, do circuito e decidir. Ele, melhor do que ninguém, tem noção do estado dos pneus. Deixou os da prova da China chegarem na lona.

O fato é que Hamilton enfrentará essa situação desfavorável dentro de um quadro de tudo ou nada, ou seja, vencer ou ser vencido não apenas numa etapa, mas no campeonato. Sua estrutura psicológica vai estar em jogo. Até agora tem-se demonstrado frio e os raros equívocos cometidos não parecem ter-se transferido para sua pilotagen no dia seguinte. Fica ali.

Agora é um tanto diferente porque perdeu, na China, oportunidade rara de fechar o campeonato tendo boa base de vantagem para o segundo colocado, Fernano Alonso. Pôde correr sem a pressão de ter de buscar resultado. Na corrida de São Paulo ainda depende apenas si, já que independente do que conseguirem Alonso e Kimi Raikkonen. Um segundo lugar já o coloca na história como o único estrente campeão bem como o mais jovem, 22 anos.

Mas não tem mais 12 pontos de vantagem. São apenas 4 em relação a Alonso e 7 para Raikkonen, num lugar onde nunca esteve, Interlagos. Seus adversários sabem o que irão enfrentar. Alonso venceu em duas ocasiões o confronto final com ninguém menos de Michael Schumacher enquanto Raikkonen já foi vice-campeão do mundo, em 2003, quando perdeu na final para Schumacher, e em 2005, também no encerramento, para Alonso.

Um grande campeão reúne todos os predicados. Hamilton demonstrou a maior parte deles apesar da juventude na Fórmula 1. Falta esse em particular que o mundo esportivo estará atento para conhecer dia 21: maturidade emocional.

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