A imagem de supertalento de Hamilton pode entrar em xeque

liviooricchio

07 de abril de 2008 | 11h43

07/IV/08

Amigos: esta é a minha coluna, hoje, no caderno de esportes do Jornal da Tarde, escrita aqui de Manama, capital de Bahrein.

Enquanto Felipe Massa entra na ascendente, e tendo em vista a autoridade com que venceu ontem o GP de Bahrein a fase não deve se encerrar no Oriente Médio, o vice-campeão do mundo, Lewis Hamilton, da McLaren, experimenta momento oposto.

Começou bem a temporada ao aproveitar as falhas da Ferrari na estréia tensa no campeonato e venceu. Sem Felipe Massa e Kimi Raikkonen na pista, Hamilton não teve adversários, o que, no entanto, não tira os seus méritos na conquista.

Mas mesmo lá em Melbourne Hamilton já foi o campeão de rodas bloqueadas nas frenagens, característica que se estendeu para a Malásia e Bahrein, no fim de semana. É um piloto distinto daquele menino estreante, em 2007, e que encantou exatamente pelo que não tem apresentado agora: velocidade associada à regularidade. Sua margem de erro o tornou outro piloto.

Talvez o excesso de paparicação dos ingleses e a fortuna que, de repente, passou a ganhar respondam por essa mudança brusca. Tudo ainda é muito novo e está confuso de ser administrado.

Em Bahrein, Hamilton não fez quase nada certo. Sexta-feira, como admitiu, errou no treino da tarde e não fosse a elevada segurança do circuito de Sakhir teria se ferido no acidente. Acelerou em cima da zebra na veloz curva 6. Sem controle de tração, sua McLaren projetou-se para o lado de dentro da curva e colidiu violentamente na barreira de pneus. Correu com o carro reserva.

Ontem, acionou tarde o comando que gerencia o funcionamento do motor na largada o que lhe ocasionou terminar a primeira volta em nono lugar enquanto era o terceiro no grid.

Não bastasse isso, envolveu-se num acidente com seu desafeto, Fernando Alonso, ainda na segunda volta. Resultado: teve de ir para os boxes trocar o aerofólio dianteiro. Hamilton não fez mais que o apagadíssimo 13º lugar. Depois da corrida, deixou a imprensa esperando em vão. Mandou a assessora dizer que não falaria com ninguém, embora assumisse a culpa pelo ocorrido.

O pior para Hamilton é que agora que a BMW já está na frente da McLaren em pontos e em desempenho, a ausência de um piloto experiente, capaz e líder como Alonso deverá ser sentida pela equipe. Parte dos erros de Hamilton já decorre da menor eficiência de seu carro em comparação à BMW e ao salto de desempenho bem maior da Ferrari de 2007 para cá.

Como não há indícios de que a McLaren vá voltar a lutar pelas vitórias tão cedo, ao menos na grande maioria das etapas, a não ser que nos testes de Barcelona, na próxima semana, a evolução do modelo MP4/23 seja significativa, Hamilton deve repensar sua forma de encarar o campeonato.

Não é mais como ano passado, quando largava sabendo que poderia vencer. Se Hamilton começar as provas acreditando que tem carro como em 2007 para lutar de igual para igual com Ferrari e agora até BMW, continuará errando.

E sua imagem de supertalento, evidenciada em 2007, pode entrar em xeque.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.