A ordem na McLaren e Williams é uma coisa só: trabalho.

liviooricchio

21 de março de 2013 | 01h19

21/III/13
Kuala Lumpur

Oficialmente o GP da Malásia, segunda etapa do Mundial, começa hoje, quinta-feira, com a inspeção técnica dos carros e as entrevistas programadas pela FIA e as equipes. A imprensa vai desejar saber mais de Felipe Massa e Fernando Alonso sobre o ocorrido em Melbourne, domingo. A direção da Ferrari antecipou o pit stop do espanhol e com isso ele avançou para o segundo lugar. Já Massa caiu de segundo para quarto. Desde ontem o ritmo dos trabalhos no autódromo de Sepang é intenso. Os primeiros treinos livres têm início hoje, às 23 horas, horário de Brasília, 10 horas de sexta-feira em Kuala Lumpur, sob calor arrasador.

Enquanto o clima na Lotus era de distensão, com seus integrantes até conversando com a imprensa, resultado da vitória da equipe com Kimi Raikkonen no GP da Austrália, domingo, nas áreas reservadas para a McLaren e a Williams todo grupo técnico manteve-se boa parte do dia reunido para superar as sérias dificuldades apresentadas no circuito Albert Park, em Melbourne.

Jenson Button venceu a etapa de abertura do ano passado, na Austrália, e seu companheiro de McLaren na época, Lewis Hamilton, largou na pole position e terminou em terceiro. Domingo, Button saiu da décima colocação no grid, impressionantes três segundos mais lento que o pole position, Sebastian Vettel, da Red Bull, e recebeu a bandeirada em nono, 1 minuto e 21 segundos, quase uma volta, atrás do vencedor, Raikkonen. “O MP4/28 não é um carro vencedor”, afirmou Button, depois da prova.

O time em que seus pilotos já venceram o Mundial 12 vezes – só perde para a Ferrari, com 15 – apostou num projeto inovador e, a exemplo da Ferrari, no ano passado, demonstrou em Melbourne estar sem rumo tanto no acerto quanto no desenvolvimento do modelo deste ano. É por essa razão que Martin Whitmarsh, diretor geral da McLaren, convocou todo mundo para o trabalho, ontem.

Por enquanto, Tim Goss, coordenador do projeto do MP4/28-Mercedes, não considera a possibilidade de disponibilizar a Button e seu companheiro, Sergio Perez, 11.º no circuito Albert Park, o monoposto do ano passado, vencedor das duas corridas finais da última temporada: Estados Unidos, com Hamilton, e Brasil, Button.

Whitmarsh explicou ao Estado, em Melbourne, a razão: “O MP4/27 (de 2012) chegou ao seu limite de desenvolvimento, por isso partimos para um carro com soluções inovadoras e com grande potencial de crescimento. Mas, claro, isso exige algum tempo”.

Se por ventura Goss concluir que não vai valer a pena concentrar todos os esforços no MP4/28, até porque o conhecimento adquirido com o projeto não servirá para o carro do ano que vem, quando muda tudo na Fórmula 1, a McLaren pode, sim, voltar a competir com o monoposto de 2012. As diferenças no regulamento são bem pequenas.

Nessa hipótese, não será a primeira vez que a McLaren abandona um modelo e compete com o da temporada anterior. Em 2003, o genial projetista Adrian Newey concebeu o MP4/18-Mercedes que nunca correu. O modelo era tão crítico nos seus conceitos aerodinâmicos que tudo foi miniaturizado. Resultado: o carro não foi aprovado, várias vezes, no teste de resistência organizado pela FIA. Curiosamente, Raikkonen disputou naquele ano o título com Michael Schumacher, da Ferrari, até a etapa final, no Japão, 93 a 91. Deu o alemão.

Na Williams o ambiente de tensão não era diferente, ontem, no circuito malaio, sob temperatura de 33 graus, à tarde. “Esse carro não tem nada a ver com o do ano passado. É outro mundo, muito pior”, afirmou, ao Estado, o venezuelano Pastor Maldonado. “O lado positivo é que os engenheiros me disseram que não se trata de um problema crônico, mas de entender melhor o carro e saber acertá-lo.”

Mike Coughlan, diretor técnico da Williams, falou ao Estado: “É um projeto novo, precisamos de algum tempo para entendê-lo e melhor aproveitar os novos pneus”. O estreante finlandês Valtteri Bottas, reclamou de o FW35-Renault apresentar elevada e rápida degradação dos pneus. Em Melbourne, o finlandês largou em 16.º e recebeu a bandeirada em 14.º. Maldonado abandonou na 24.ª volta depois de perder o controle do carro e atolar na área de escape.

A Pirelli levou para a Malásia os mesmos pneus médios da Austrália, mas substituiu os supermoles pelos duros, por causa da exigência extrema da competição, calor elevado e pista com curvas rápidas e longas. Fernando Alonso, da Ferrari, chegou ontem ao autódromo pouco antes das 16 horas, hora da largada em Sepang, domingo, 5 horas da manhã pelo horário de Brasília, para percorrer de bicicleta os 5.543 metros do belo traçado.

Completou seis voltas em ritmo bastante forte, sendo que antes havia disputado uma partida de tênis. O site oficial da Fórmula 1 informa que a previsão para amanhã, nos treinos livres, e domingo é de chuva. Ontem no fim da tarde, como é a tradição no sul da Malásia, havia formação de nuvens bastante carregadas. Em 2009, a corrida teve apenas 31 das 56 voltas previstas porque caiu uma tormenta sobre o autódromo.

FIM

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