A questão é também de competência

liviooricchio

08 de setembro de 2013 | 17h31

08/IX/13
Monza

Durante os dias do GP da Grã-Bretanha, em Silverstone, tive a oportunidade de jantar num grupo onde estava o presidente da CBA, Cleyton Pinteiro, um bem-sucedido empresário do Recife. Muito acessível, perguntei-lhe como via a questão de o Brasil ficar sem representante na Fórmula 1 em 2014.

Ouvi dele que havia no Rio Grande do Sul um grupo trabalhando com uma categoria básica de monopostos, mas a competição seria apenas regional. Depois me disse, várias vezes, que sentia muito orgulho de o Brasil ter um integrante na comissão de ética da FIA. Não entendi. Fiz uma pergunta e obtive resposta para outra questão.

Comentei ter pesquisado os programas de formação de jovens pilotos que empresas e equipes têm pelo mundo. E encontrei pilotos das Filipinas, da Indonésia e nações africanas. Só não havia nenhum brasileiro. E qual a representatividade desses países no cenário automobilístico mundial diante do que o Brasil já fez, com todo o respeito?

Disse-lhe ter aprendido nesses quase 25 anos acompanhando a Fórmula 1 que uma federação atuante, cujo presidente se apresente nas competições, distribua cartões, demonstre interesse por acompanhar o que se faz pelo mundo conta muitos pontos. Poderia, por exemplo, garantir a presença de pilotos do país que representa nesses programas. De novo a impressão que tive foi de não ser compreendido.

Se Massa não permanecer mesmo na F-1, como parece provável, e o talentoso Felipe Nasr, da GP2, não conseguir uma equipe, como são as indicações, diante de suas dificuldades agora na GP2, os brasileiros estarão fora do Mundial. Desde a estreia de Emerson Fittipaldi no GP da Grã-Bretanha de 1970, pela Lotus, o País sempre teve ao menos um representante na Fórmula 1.

Seria fundamental que agora o senhor Pinteiro ao menos batesse à porta do Ministério dos Esportes e tentasse convencer o governo federal a investir no automobilismo. Como faz com tantos outros esportes. Mais: tivesse a iniciativa de convocar todos os segmentos que compõem essa atividade profissional, colhesse sugestões do que deveria ser feito, contratasse uma agência capaz de elaborar um projeto com pé e cabeça e saísse a campo para procurar empresas capazes de fazer o programa sair do papel.

Mas isso seria querer demais de quem responde sentir um “orgulho danado” de ter um representante na comissáo de ética da FIA à pergunta sobre o que pensava da impossibilildade de se formar, hoje no Brasil, pilotos de monopostos.

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