A TAM continua a mesma: sofrível!

liviooricchio

27 de novembro de 2012 | 15h13

27/XI/12
Livio Oricchio, do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo

Olá amigos!

Infelizmente muita gente, no Brasil, já experimentou os horrores de ser assaltado e sentir o cano frio de um revólver na pele da face. Eu já passei por isso três vezes. Numa delas, há muitos anos, fui refém. Se alguém tentasse algo o primeiro a morrer seria eu.

Mas uma coisa é ser assaltado por um indivíduo, ou um grupo deles, sem a menor hesitação em te matar, outra é ser roubado por uma companhia aérea. O assaltante é mais honesto. É tudo muito claro: eu quero o que você tem e se você não me der eu te mato. Não há dúvida na regra do jogo.

Com a TAM, o assalto é disfarçado. Portanto, prática menos honesta. Mas vindo dessa empresa aérea, de longo histórico, ao menos comigo, de passagens semelhantes, não surpreende. Nesse momento, 14h30 desta terça-feira, encontro-me no portão 2 do embarque no Aeroporto de Congonhas aguardando o embarque para o Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro.

Possuo uma passagem aérea para voar hoje para lá e regressar quinta-feira. Ocorre que necessito voltar, agora, amanhã e não mais depois de amanhã. Antes de fazer o check in, procurei o balcão da TAM, apresentei a cópia do bilhete eletrônico e informei o que preciso, antecipar em um dia o voo de volta.

O atendendente, Hugo, profissionalmente, verificou no seu computador a disponibilidade de lugar e me disse que eu teria de pagar uma diferença tarifária. Compreensível. Qual o valor, por favor? Resposta: R$ 1.158,40. É isso mesmo o que você leu: para mudar o dia do embarque de quinta-feira para amanhã, quarta-feira, a TAM cobra, nesse caso, um mil cento e cinquenta e oito reais e quarenta centavos.

Perguntei se não havia engano, pois não se tratava de uma viagem da Europa para São Paulo. Ouvi não existir equívoco algum. Fui informado que poderia fazer a mudança depois do check in ou mesmo em seguida a voar o trecho de ida. Nesse caso haveria um desconto, pagaria menos. Quanto, por favor? R$ 752,16. Por extenso: setecentos e cinquenta e dois reais e dezesseis centavos.

Senhores, recebo e-mails regulares da Lufthansa e da Swiss, com preços de tarifas para voar para Frankfurt ou Zurique, minhas bases de operação. Preço de um bilhete São Paulo/Frankfurt/São Paulo ou São Paulo/Zurique/São Paulo nessas promoções: cerca de US$ 750 ou R$ 1.500,00. Tempo de voo, nos dois casos: 11 horas para ir e 12 para voltar.

A minha passagem São Paulo/Rio de Janeiro/São Paulo custou R$ 943,40. Mas foi emitido com desconto, porque o valor real da ponte aérea da TAM é R$ 1.838,00 “mais as taxas” me lembra o Hugo, da TAM. Tempo de voo de Congonhas ao Santos Dumont, tanto para ir quanto voltar: 50 minutos. Ah, sem serviço de bordo, como a Lufthansa ou a Swiss, que oferecem jantar e café da manhã. Para não mencionar o profissionalismo dos serviços das duas, do primeiro contato com ambas à saída da aeronave.

Escrevo da sala de embarque. Não estou no lounge (sala especial) da TAM, como seria meu direito por possuir o cartão Gold da Star Alliance e a TAM fazer parte da associação de companhias aéreas. Sabe por quê? Porque a TAM não tem lounge em Congonhas! É isso mesmo que vocês leram: na cidade sede da TAM a empresa não tem lounge. Estranho a Star Alliance, a mais bem sucedida associação aérea, não controlar tamanho desrespeito às regras para fazer parte do grupo.

Voei com a TAM um período de minha vida itinerante pelo mundo. Logo depois de a Varig deixar de existir para voos internacionais. Já demorei mais de duas horas para fazer o check in, em Cumbica, por estarem disponíveis apenas duas meninas para a operação, já experimentei atrasos importantes, 6 horas, como num voo para Paris. A explicação: “Um urubu entrou na turbina”. Cerca de dez dias mais tarde, para regressar de Paris, novo atraso relevante, mais de 6 horas, e qual a explicação? “Um urubu entrou na turbina. Que coincidência, não?

Por voar muito nessa época, ganhei o direito de receber o cartão de fidelidade vermelho, destinado aos passageiros mais frequentes. Acumulava cerca de 120 mil milhas por ano. Aguardei, aguardei o cartão e nada. Ao entrar em contato, ouvia sempre: “O senhor vai recebê-lo”. Meses, repito, meses depois apenas recebi o cartão pelo correio.

Agora, quando depois de deixar de voar com a TAM pelos motivos expostos e tantos outros dessa natureza, antes ainda de encerrar a validade do cartão vermelho enviaram carta informando que meu cartão seria cancelado. Que eficiência, não?

Voltemos ao meu caso atual: para voltar do Rio de Janeiro amanhã e não quinta-feira a TAM está cobrando R$ 752,16, depois de a empresa já ter recebido R$ 943,40.

Tirem as conclusões você mesmos, por favor.

Obrigado e desculpe utilizar o tempo programado para um post com as notas dos pilotos na temporada para falar desse descaso ao consumidor chamado TAM.

Mas não ficaremos sem nossa conversa com a avaliação dos pilotos.

Abraços!

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