A volta de Schumacher, o piloto mais completo que vi correr

liviooricchio

29 de julho de 2009 | 18h00

29/VII/09
Livio Oricchio, de Budapeste

O que parecia ser apenas um sonho de milhões de torcedores, dos promotores e dos investidores da Fórmula 1 tornou-se realidade: Michael Schumacher está de volta. O piloto de mais conquistas de todos os tempos, sete vezes campeão do mundo, por exemplo, substituirá, aos 40 anos e um pouco gordinho já, mas provavelmente muito competente ainda, seu amigo Felipe Massa na equipe Ferrari, ferido sábado na classificação do GP da Hungria.

“Em primeiro lugar, o mais importante é que as informações sobre Felipe são, graças a Deus, positivas. Desejo-lhe pronta recuperação”, disse o alemão em seu site. E explicou: “Eu me reuni com Stefano Domenicali e Luca di Montezemolo (da direção da Ferrari), hoje à tarde e decidi aceitar o convite para substituir Felipe. Inicio desde já minha preparação para voltar a correr”.

A última prova de Schumacher na Fórmula 1 foi em Interlagos, no GP do Brasil de 2006. Desde então, limitou-se a realizar um ou outro teste para a Ferrari e mesmo assim o último foi ainda em abril do ano passado, em Barcelona. Além disso, disputou provas esporádicas de motocicleta até sofrer sério acidente no dia 2 de fevereiro, no circuito espanhol de Cartagena, fraturando duas costelas.

O alemão que entrou para a história como um dos mais espetaculares pilotos de todas as épocas ainda que para vencer, por vezes, valesse tudo, explicou a razão de mudar de idéia: “A Fórmula 1 continua um capítulo encerrado para mim, mas por motivo de lealdade à equipe não posso ignorar essa situação”. E completou: “Como competidor que sou, digo que estou ansioso para enfrentar esse desafio”. Schumacher tem contrato com a Ferrari. Recebe cerca de US$ 30 milhões por ano como consultor e homem da marca.

O que primeiro terá de rever é sua condição física, tida como um modelo no seu tempo de piloto. O alemão demonstrou este ano umas gordurinhas expressivas na altura da cintura nas etapas que acompanhou a Ferrari. A sua reestréia será no primeiro dia de treinos livres do GP da Europa, dia 21, nas ruas de Valência, na Espanha. Os teste particulares estão proibidos este ano. Mas tão importante quanto sua preparação orgânica é conhecer o modelo F60 da Ferrari.

Até mesmo em relação ao carro que pilotou ano passado as diferenças nos recursos disponibilizados são significativas. O sistema de recuperação de energia, por exemplo, Kers, representa completa novidade para Schumacher.

“Vamos começar um intenso programa de atualização com Michael a fim de tê-lo em plenas condições de disputar o GP da Europa”, disse Luca Colajanni, da Ferrari. Passará por muitas horas no simulador. Schumacher será o companheiro de Kimi Raikkonen, campeão do mundo também, em 2007, que curiosamente sempre desejou enfrentá-lo com o mesmo equipamento. Terá, agora, a oportunidade.

O anúncio da volta de Schumacher no dia em que a BMW oficializou seu abandono da Fórmula 1, ontem, não foi por acaso. O que seria um golpe para a imagem da competição, a saída de um time importante, apesar da falta de resultados, este ano, transformou-se num dia de júbilo até, com o retorno do maior piloto em números da história.

Com toda certeza Bernie Ecclestone, promotor da F-1, e Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari e da associação das equipes (Fota) trocaram várias ligações ao longo do dia. E uma vez que Schumacher aceitou correr, a hora é mais que apropriada para revelar sua volta. A Fórmula 1 está em festa em vez de luto.

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