Acidente de Perez comprova a evolução da segurança

liviooricchio

29 de maio de 2011 | 07h14

28/V/11

Amigos, estava aqui quando Karl Wendlinger se acidentou, em 1994. E hoje, sábado. Sergio Perez e o austríaco sofreram impactos bem semelhantes. O texto a seguir compara as duas experiências vividas aqui em Mônaco, separadas por 17 anos. E as profundas diferenças que a Fórmula 1 passou.

Livio Oricchio, de Mônaco

  No dia 12 de maio de 1994, no primeiro treino livre do GP de Mônaco, o austríaco Karl Wendlinger, da Sauber, perdeu o controle do carro na freada depois do túnel e colidiu com violência na barreira de pneus instalada em frente ao canteiro de árvores na reduzida área de escape. Ontem, 17 anos mais tarde, outro piloto da Sauber, o mexicano Sérgio Perez, de 21 anos, sofreu acidente de dinâmica bastante parecida com o de Wendlinger.

  O austríaco entrou em coma e, apesar de ter voltado a correr, nunca mais foi o mesmo, tanto que a carreira, na Fórmula 1, acabou pouco tempo depois. Já Perez passou a noite em observação no Hospital Grace, em Mônaco, e não foi diagnosticada nenhuma lesão óssea ou neurológica e deverá ter alta amanhã, domingo. O que explica essa diferença de consequências entre um e outro acidente?

  A resposta, básica, é: o que aconteceu na etapa anterior ao GP de Mônaco de 1994. Ayrton Senna e Roland Ratzemberger morreram na prova de Ímola, em decorrência de acidentes. A Fórmula 1 literalmente acordou para a segurança que, todos pensavam, fosse infalível. “Quando penso como corríamos e vejo o que está a nossa disposição hoje, em termos de segurança, me impressiono”, disse, ontem, Michael Schumacher, presente naquela corrida. Viria a vencê-la, com Benetton.

  “Tudo o que passou a ser incorporado à Fórmula 1, visando a elevar a segurança, atende, desde então, a estudos científicos e não o empirismo praticado”, explica o ex-médico-chefe da FIA, Syd Watkins. Exemplos da aplicação dos resultados desses experimentos: o capacete de Perez passa por testes estruturais muito mais rígidos, o cockpit do carro envolve muito mais o piloto e possui material capaz de absorver energia dos impactos na parte posterior e laterais. A coluna cervical de Perez se movimentou pouco por estar a 3 centímetros apenas desse material.

  Mais: o cockpit passa pelo chamado teste de resistência antes do campeonato e as cargas, hoje, são bem mais elevadas, bem como os pontos de aplicação se multiplicaram. O cockpit, ontem, estava intacto, por esse motivo Perez não sofreu fraturas.

  O canteiro de árvores, local do impacto, está agora protegido por várias camadas de material que possui a mesma propriedade do que reveste o cockpit: absorver energia dos choques. Em 1994, Wendlinger colidiu contra pneus, superfície bem mais resistente, transferindo ao piloto parte da energia do impacto. Mark Webber, da Red Bull, pediu, ontem, mudança na área de escape do local.

   Por fim o avanço no serviço de resgate e atendimento médico, tudo resultado de um processo estudado em detalhes. Esses elementos combinados explicam a elevada segurança ativa e passiva da Fórmula 1. Mas, como diz Schumacher, “há sempre, sempre, o que melhorar”.

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