Acidente quase mata Kovalainen

liviooricchio

27 de abril de 2008 | 17h54

27/IV/08
Livio Oricchio, de Barcelona

A imagem do tecido grande azul estendido para impedir a visão do atendimento a Heikki Kovalainen, com a McLaren fincada sob a manta de borracha que reveste as fileiras de pneus, levou muita gente a acreditar que a Fórmula 1 talvez fosse conviver com nova tragédia.

Na 21ª volta do GP da Espanha, o pneu dianteiro esquerdo do carro do finlandês explodiu na curva 9, contornada em quinta marcha, a 240 km/h. Ao contrário da maioria, não havia ainda feito o primeiro pit stop. Esse pneu é o mais solicitado nos 4.655 metros da pista, pela disposição das curvas. Soma-se a isso o fato de Kovalainen estar com os pneus macios, de maior degradação.

Oficialmente, a equipe McLaren não divulgou nenhum detalhe técnico do ocorrido, mas a partir de informações recolhidas com engenheiros de outros times, estima-se que o piloto finlandês colidiu num ângulo quase frontal a 198 km/h. O jornalista catalão Raymond Blancafort, do El Mundo Deportivo, disse ter conversado com um dos comissários que auxiliou no resgate a Kovalainen. O seu desespero, solicitando a entrada urgente do Medical Car, foi porque a viseira do capacete do piloto estava toda vermelha. Pouco depois a equipe de atendimento compreendeu tratar-se da tinta vermelha da manta de borracha e não de sangue.

O médico da FIA, o norte-americano Gary Hartstein, não pode dar entrevistas. Mas comentou que desde o primeiro instante as perspectivas de o piloto estar bem, sem necessitar de ações urgentes, ficou clara para a equipe médica. Ele respirava normalmente, estava consciente, calmo e suas funções vitais estáveis. O sistema Hans de capacete, nesses choques frontais, mostrou-se mais uma vez decisivo para a manutenção da saúde da coluna cervical.

No ambulatório do autódromo a impressão inicial de nenhuma contusão que gerasse preocupação se confirmou. Mesmo assim o piloto da McLaren foi levado de helicóptero para o hopital General de Catalunya, em Sant Cugal del Valles. A tomografia confirmou não existirem lesões ósseas ou neurológicas. Passou a noite em observação, no entanto. A desaceleração submetida foi intensa.

Ron Dennis, diretor da McLaren, comentou: “As causas do acidente não estão claras, ainda. Nossos dados indicam súbita explosão do pneu, mas é cedo para conclusões”. O dirigente elogiou as normas de segurança da FIA para o chassi. A célula de sobrevivência da McLaren estava inteira apesar do tremendo impacto. Falou mais: “Estamos otimistas que Heikki se recupere nos próximos dias. Sujeito a exame do corpo médico da FIA, esperamos que ele esteja em condições de disputar o GP da Turquia.”

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