Acredito numa ação deliberada de Briatore

liviooricchio

09 de setembro de 2009 | 19h15

09/IX/09
Amigos, estou aqui em Monza. Domingo agora, dia 6, enviei esse texto para a minha coluna do Jornal da Tarde. Penso ser oportuno disponibilizá-lo no blog. Tem tudo a ver com o noticíario de hoje em sites sérios como o da revista Autosport.

Sobre o episódio da possível farsa de Flavio Briatore e sua turma no GP de Cingapura: estou convencido, hoje, de que Nelsinho Piquet agiu deliberadamente. Não falei mais com ele. Nelsinho está incomunicável desde a saída da equipe Renault. O primeiro questionamento: por que só agora Nelsinho resolveu contar o que aconteceu naquela corrida? Simples: atingir em cheio Briatore.

Tenho informações de que foi o próprio Nelsinho quem procurou Max Mosley, presidente da FIA, para denunciar o caso. Exatamente como fez Fernando Alonso para relatar a Mosley a espionagem de seu time, McLaren, em 2007. Os ingleses tinham todos os detalhes do carro da Ferrari.

Muita gente na Fórmula 1 sabe que Briatore foi o principal motivo de Nelsinho não ter produzido o que poderia. Ao cobrá-lo de maneira inescrupulosa, por vezes, instantes antes de sair dos boxes nos treinos classificatórios, em especial, o dirigente italiano contribui para desestabilizá-lo emocionalmente. Nelsinho sempre competiu nos times montados por seu pai, Nelsão Piquet, e não conhecia esse tipo de pressão.

Se for possível provar o que Nelsinho delatou, e, apesar de difícil, é possível, haverá desdobramentos importantes. Briatore e seu diretor de engenharia, Pat Symonds, por trás da eventual farsa, vão ficar de fora da Fórmula 1 por um bom tempo. Objetivo do delator. Nelsinho pode nem ser punido, como não foi Alonso em 2007, como parte do acordo com Mosley, mas seu nome já não circula mais como piloto da Fórmula 1. Dificilmente alguém o contratará. A exclusão é do meio esportivo e não da autoridade legal.

A equipe Renault pode ser excluída do restante do Mundial, o que provavelmente levará a direção da empresa abandonar a Fórmula 1. O problema é sério para Bernie Ecclestone: a BMW já avisou que cai fora no fim do ano, a Renault pode fazer o mesmo e, dos novos times, há dúvidas imensas a respeito se irão de fato estar no grid do GP da Austrália de 2010.

Por tudo isso, é possível que Ecclestone costure uma saída política para mais esse imbroglio da Fórmula 1. Algo do tipo: não foi possível provar nada. Agora, se Ecclestone não temer contar com poucas equipes no grid, as punições poderão ser exemplares.

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