Alonso aceita Vettel como companheiro na Ferrari. Mentira. Vettel adoraria. Mentira.

liviooricchio

21 de junho de 2012 | 15h41

21/VI/12
Livio Oricchio, de Valência

Amigos, o assunto hoje aqui em Valência é, acreditem, o mercado de pilotos. E nem tanto visando a próxima temporada, mas 2015. Vai desejar antecipar o futuro assim na terra do Trovador de Toledo. Putz, estou na Espanha. Havia me esquecido.

Como conversamos, Alonso e Vettel tiveram de se explicar. O espanhol, claro, garantindo que não teria problemas em compartilhar a Ferrari com o alemão. Mentira. E para o piloto da Red Bull, da mesma forma, “seria um prazer correr ao lado de Fernando”. Outra mentira.

Vocês acham que a Ferrari correria o risco de ver Alonso de repente desestabilizar-se e produzir menos por ver que Vettel é muito capaz, a ponto de poder superá-lo? Não são tontos. E sei de pessoas muito próximas a Vettel, que sabem com precisão o que dizem, convivem com ele, que não aceitaria nunca trocar a Red Bull, onde é líder e tem excelente ambiente, além da garantia de contar com o melhor projetista da Fórmula 1, Adrian Newey, por todas as incertezas da Ferrari no feudo de Alonso.

Nem é preciso ter elevada inteligência para compreender que não há lógica nessa transferência. E para daqui a dois anos e meio. Menos, por favor.

Alonso disse na entrevista da FIA que participa das decisões da Ferrari sobre a definição de pilotos. É o que vocês acabaram de ler. “No passado
nunca. Agora, na Ferrari, sim. Estou na Itália toda semana, às vezes vejo nosso presidente (Luca di Montezemolo), falo com ele, Domenicali, sobre o desenvolvimento do carro, o futuro da Fórmula 1 e também sobre companheiros de equipe”, contou o esturiano.

Mas foi claro na reposta à pergunta se seria ouvido se dissesse desejar este ou aquele. “Duvido. Nossas conversas são bem abertas, mas no fim a decisão é deles.”

Os jornalistas brasileiros contaram para Felipe Massa o que Alonso falou, a fim de ouvi-lo a respeito. “Fernando é muito respeitado dentro da Ferrari pelos resultados que obteve, é natural participar da decisão dos pilotos. Temos boa relação, sei que ele empurra para o meu lado, mas o que vai importar é resultado”, disse.

“É isso que vai fazer com que a Ferrari renove comigo ou eu vá para outro time.” Não respondeu se tem já contato com outra escuderia. “Minha melhor opção, agora, é resultado.” Mas confirma o que declarou à imprensa alemã: “Se tiver de correr numa equipe pequena vou fazer outra coisa”. A Sauber é pequena? “Média”. Poderia ser uma porta, embora eu não acredite. Tenho ótima relação com a equipe. Viajamos juntos na Swissair. Do que ouço, seria surpreendente ver Massa lá.

Apesar do erro no GP do Canadá, ainda na quinta volta, “que me custou lutar pelo pódio”, afirmou ontem, Massa pensa viver agora outra realidade se comparada às dificuldades das provas iniciais. Foi incisivo na entrevista em inglês: “Muitos pilotos têm chance de se tornar o oitavo vencedor da temporada. E eu me colocaria dentre eles.” Para a sequência da carreira na Ferrari uma vitória praticamente lhe garantiria a vaga. Como os próprios pilotos sempre falam, “você vale tanto quanto o seu último resultado”.

A Williams programa a entrevista com Bruno Senna sempre para bem cedo na quinta-feira. Não pude comparecer por estar falando, no mesmo instante, com Romain Grosjean, destaque em Montreal, segundo colocado. Amanhã conto o que me disse. Mas ouvi, depois, o que falou Bruno.

Seu discurso sobre o futuro foi semelhante ao de Massa. “Vai depender de eu ter bons desempenhos.” Ótimo que tem essa consciência. Bruno tem potencial para fazer bem mais que um ponto, apenas, nas quatro últimas corridas, como foi o caso.

Amigos, vocês não têm ideia do calor que faz aqui. Agora são, para mim, 20h20, sol relativamente alto, ainda, e vejo no computador da sala de imprensa a temperatura: 34 graus Celsius. A maior parte do tempo ficou em 36 graus, sem uma nuvenzinha sequer no céu. E o pior é que sopra um vento quente do mar para o continente que você tem que se proteger do vento em vez de se refrescar.

Nunca vi isso no Brasil. Vento é vento. E projetado para nos aliviar do calor. Oras. Ao menos na minha cultura. Uma ocasião, no Egito, quando fui visitar a pirâmide escalonada, em Sakkara, experimentei algo semelhante. A diferença é que aqui é bem desconfortável. E lá, insuportável. O vento parece te cozinhar.

A meteorologia indica ligeira queda da temperatura nos próximos dias, mas ainda assim se manterá elevada. Senhores, se for como hoje, apesar de a Pirelli disponibilizar pneus macios e médios, não os supermacios, o desgaste será uma loucura. Kamui Kobayashi me disse que mesmo para a Sauber, time que com a Lotus mais bem preserva os pneus, representará um problema. É o desafio proposto do fim de semana no Circuito da Comunidade Valenciana.

Nos falamos.
Abraços!

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