Alonso, agora quase vizinho de Schumacher

liviooricchio

01 de novembro de 2006 | 15h48

As proporções da residência são bem distintas, mas o bicampeão do mundo, Fernando Alonso, também já tem a sua na Suíça, próxima a Genebra, como Michael Schumacher, sete vezes campeão do mundo. As razões para o espanhol trocar Oxford, na Inglaterra, pela Suíça se estendem até bem além de seu gosto por chocolates finos: onde vai morar a carga tributária é muito, mas muito menor e essa porção de cultura francesa da região tem sido escolhida por grandes esportivas e artistas pela privacidade que garante a seus cidadãos.

Alonso mudou não só de equipe, Renault para a McLaren. Mudou, aos 25 anos de idade, o seu padrão de vida. Em todos os sentidos. Por exemplo: vai receber por ano no time inglês quase três vezes mais do que lhe pagavam na Renault. Claro que isso o ajudou a pensar no mínimo duas vezes se não valeria a pena aceitar a oferta de Ron Dennis, sócio e diretor da McLaren. Comenta-se na Fórmula 1, e deve mesmo proceder, que o contrato com a McLaren garantirá a Alonso US$ 25 milhões por ano. Na Renault, não chega a US$ 10 milhões.

Pensar com carinho naquilo que fica com o governo começa a ser importante. Como estrangeiro residente na Suíça e não exercendo seu trabalho no país, não deve recolher mais de 10% do que ganha. É o maior negócio do mundo. Em Mônaco essa incidência tributária é ainda menor, mas como Schumacher já declarou, “há o problema de não poder sair para passear com meus cachorros, o que nessa área da Suíça é possível.” A sua popularidade não lhes permite ter vida pessoal no principado.

A casa que Alonso adquiriu esta semana encontra-se em Mont-sur-Role, às margens do lago Leman, a mais ou menos 20 quilômetros de Vuffles-le-Chateau, onde Schumacher ainda reside. O alemão está concluindo sua nova mansão, no município de Gland, perto de lá também. O diário “Tribune de Geneve” na sua edição de hoje dá detalhes da residência adquirida por Alonso: ocupa uma área de apenas 435 metros quadrados e a área construída não passa de 180 metros quadrados.

Mais: não tem sequer garagem e acha-se a 100 metros da principal estrada que corta a região. A imprensa suíça já publicou que, na realidade, a casa adquirida agora por 920 mil euros não passa de uma solução intermediária para a que surgirá em Chateaux nos próximos anos, nos moldes que está fazendo Schumacher. “O Tribune de Geneve” escreve, ainda, que tudo se resolveu muito rápido. Alonso encontrou a casa através de ofertas na Internet.

A propriedade de Schumacher se estende por uma área de 15 hectares (150 mil metros quadrados) e próximo a ela construiu um centro hípico, para atender a paixão de sua esposa, Corinna, tão desenvolvido que a seleção suíça de hipismo passou a fazer os seus treinamentos lá. “A minha mulher virou empresária, agora. É ela quem toma conta do centro hípico”, afirmou durante o GP do Japão. O investimento de Corinna é um sucesso, por ser grande o número de pessoas que têm e se interessam por cavalos nesse canto francês da Suíça.

Outros pilotos ou ex-pilotos também residem perto das casas de Schumacher e Alonso, como Alain Prost, Kimi Raikkonen, Jarno Trulli, Jacques Villeneuve, David Coulthard. Artistas também: Phil Collins e Tina Turner. Há várias marinas nesse trecho perto do Lago de Genebra, onde se localizam essas pequenas cidades, quase vilas, e a maioria tem barcos ancorados.

Há uns dois anos eu fui dirigindo do circuito de Nurburgrig, na Alemanha, para o de Magny-Cours, na França, e escolhi a rota via Genebra para conhecer onde esse pessoal da Fórmula 1 mora. Menos por curiosidade e mais para ter elementos no caso de escrever sobre o tema, como agora, por exemplo. É o paraíso, ainda que a maior parte das casas não possua as dimensões das que vemos, por exemplo, em Key Biscane ou Fort Lauderdale, na Flórida, muito maiores.

Outro aspecto favorável de se viver a mais ou menos meia hora de carro do aeroporto de Genebra é a sua proximidade com todas as cidades onde a Fórmula 1 se apresenta na Europa. Trata-se de uma posição estratégica, quase central em relação aos deslocamentos exigidos. Sem mencionar que muitos têm suas próprias aeronaves. Ainda não é o caso de Alonso. Já Schumacher possui um Falcon 2000, jato executivo capaz de vôos intercontinentais. Natural para quem faturava US$ 65 milhões por ano.

É o próximo passo do cada vez mais mega star Alonso.

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