Alonso agradece a McLaren, mas diz ter mais três anos de contrato com a Ferrari

liviooricchio

20 de setembro de 2013 | 13h58

20/IX/13
Cingapura

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A grande surpresa do primeiro dia de treinos livres do GP de Cingapura, nesta sexta-feira, nem foi a impressionante vantagem imposta pela Red Bull a todos os adversários, mas a declaração do diretor da McLaren, Martin Whitmarsh, de que gostaria de ter volta a sua equipe Fernando Alonso. O espanhol deixou a equipe no fim de 2007 tendo ainda dois anos de contrato. Houve um comum acordo entre as partes para a rescisão do compromisso.

Whitmarsh disse aos jornalistas, depois, não ter tido nenhum contato com Alonso, apenas expressava o desejo de contar com o piloto novamente. Visivelmente constrangido, o espanhol comentou: “ Já respondi tantas vezes e vou repetir. Não existe nenhuma possibilidade de eu sair da Ferrari nos próximos três anos, pois tenho contrato.” E esnobou a McLaren: “Não me parece, hoje, uma oferta das mais atrativas”.

A informação também não deixou de sensibilizá-lo: “Recebo com um sorriso no rosto, é muito bom saber que todos me querem no paddock, por meu comprometimento com o trabalho, meu profissionalismo, e no caso da equipe em questão tendo já dois pilotos sob contrato”.

O interesse de Whitmarsh é bom para demonstrar, lembrou Alonso, não haver nenhuma mágoa do relacionamento com a McLaren. Mas na etapa final da temporada de 2007, em Interlagos, fez questão de expressar seu contentamento com o fato de o companheiro, Lewis Hamilton, não ter sido campeão.

O asturiano não se conformava em ver a equipe dividida. Queria que se concentrasse no seu carro, afinal era bicampeão e Hamilton, estreante na Fórmula 1. Entrou em choque direto com Ron Dennis, sócio e diretor da McLaren, o que levou no fim do ano os dois lados entenderem não ser possível prosseguir com a relação.

Hoje no circuito Marina Bay Alonso comentou, ainda: “Dizem que saí de lá brigado. Mas não foi nada disso. Não tive problema com ninguém, a não ser com a filosofia de uma pessoa que não está mais lá.” Referia-se a Ron Dennis. Whitmarsh sabe disso, viveu de perto tudo aquilo, mas Dennis atualmente não faz mais parte da escuderia de Fórmula 1. A ideia do atual diretor da McLaren seria não renovar o contrato de Sergio Perez e Alonso formar dupla com Jenson Button, de compromisso recém-assinado, já em 2014.

Ron Dennis não cuida mais da F-1

É o responsável pela McLaren Automotive, empresa do Grupo McLaren que produz três modelos de série limitada e alta tecnologia:
P1, 12C e 12C Spyder. Dennis não tem mais ingerência no time de Fórmula 1. No escândalo de espionar a Ferrari, também em 2007, a McLaren fez um acordo com Max Mosley, presidente da FIA: Dennis deixa a Fórmula 1 em troca de a equipe não ser severamente punida.

Isso tudo quer dizer que um eventual retorno de Alonso não implicaria compartilhar o mesmo espaço com seu desafeto confesso, Dennis.

Alonso concluiu a conversa com a imprensa ratificando o compromisso com a Ferrari. “Vou permanecer aqui nos próximos três anos e tomara até mesmo mais.”

Ao que se sabe, há cláusula de performance no contrato de Alonso com a Ferrari. Se no ano que vem o time italiano voltar a não produzir um carro que o permita lutar pelo título, dependendo da classificação final da Ferrari no Mundial de Construtores, o espanhol poderá recorrer à cláusula e pensar em mudar de escuderia. Aí, sim, com a McLaren reiniciando sua associação com a Honda, há muito oficializada, Alonso poderia eventualmente se trasferir e liderar o time, como sonha Whitmarsh.

Mas para isso a Ferrari não pode ser eficiente em 2014 e a McLaren conceber uma base com o motor Mercedes, no ano que vem, que permita a Alonso a perspectiva de em 2015 dispor de um modelo McLaren-Honda potencialmente vencedor. Portanto, muito coisa precisa acontecer, ao mesmo tempo, para Whitmarsh ter o desejo de ver Alonso de volta.

O que chama a atenção na declaração de Whitmarsh, em Cingapura, apesar de dizer respeitar o que já existe entre Alonso e a Ferrari, é a forma pública com que tratou o caso, claramente tentando atrair Alonso. Como se um contrato de um piloto com um time não tivesse valor algum. O que talvez não saiba é que hoje, com a Ferrari vice-líder do Mundial de Construtores, a saída de Alonso implicaria o pagamento da multa rescisória, estimada em muitos milhões de euros. O compromisso de Alonso se estende até o fim de 2016.

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