Alonso e Hamilton, realistas. Como evitar o tetra de Vettel?

liviooricchio

08 de setembro de 2013 | 17h26

08/IX/13
Monza

Com 222 pontos diante de 169 de Alonso e 141 de Hamilton, Vettel precisaria não marcar pontos em várias das sete etapas que restam para Alonso e Hamilton reentrarem na luta pelo título

Vale a pena fazer um retrospecto das últimas etapas para enxergar com maior precisão por qual razão tanto Fernando Alonso, da Ferrari, quanto Lewis Hamilton, da Mercedes, disseram neste domingo, em Monza, que em condições normais não há como pensar em lutar com Sebastian Vettel, da Red Bull, pelo título.

Vettel comemorou o primeiro lugar no pódio mais famoso da Fórmula 1, em Monza, sob aplausos e vaias, afinal não pilota para a Ferrari, o espanhol fez a festa com o segundo lugar e Mark Webber, da Red Bull, a terceira colocação. Foi seu primeiro e único pódio em Monza. No fim do ano abandonará a Fórmula 1. Hamilton, com dois pit stops diante de um dos primeiros colocados, não foi além do nono lugar. Um furo no pneu o obrigou a antecipar a primeira parada.

A vitória deste notável alemão no GP da Itália foi a sexta da temporada. A corrida de Monza era a 12.ª do calendário. Vettel, portanto, venceu metade das provas. Das últimas quatro etapas, ganhou três, Itália, Bélgica e Alemanha, e ficou em terceiro na outra, Hungria. Na corrida anterior a de Budapeste, em Silverstone, liderava com folga quando teve problemas hidráulicos. E antes de Siverstone foi primeiro no Canadá e segundo em Mônaco. E assim vai.

Com a vitória de ontem atinge 32 na carreira. A sua frente estão, apenas, três monstros sagrados da história da Fórmula 1: Michael Schumacher, com 91, Alain Prost, 51, e Ayrton Senna, 41.

O conjunto dessa obra artística levou Vettel acumular este ano até agora 222 pontos, diante de 169 do piloto que mais sabe obter pontos mesmo com um carro limitado, Alonso. Há entre eles impressionantes 53 pontos de diferença. O vencedor recebe 25 pontos na Fórmula 1, o que significa que Vettel pode permanecer duas corridas sem marcar pontos que, mesmo assim, continuará líder.

“Nosso carro não é tão rápido quanto o de Sebastian e ele tem uma diferença muito grande para nós. Na pista, sem que nada de anormal aconteça, a exemplo de o carro Red Bull abandonar a prova, não temos como reduzir essa diferença”, comentou Alonso a respeito de sentir-se ainda candidato ao título.

Hamilton foi mais direto ao responder sobre suas chances de poder ser ainda campeão: “Acabaram”. O inglês campeão do mundo de 2008 fez apenas dois pontos e soma agora 141, terceiro no Mundial. São nada menos de 81 pontos de diferença para Vettel. “Tivemos um fim de semana desastroso”, afirmou o vencedor da prova no ano passado, pela McLaren.

A Fórmula 1 se despede da Europa e vai agora para Cingapura, dia 22, Coreia, Japão, Índia, Abu Dabi, Estados Unidos e Brasil.

“Com o carro que eles (Red Bull) têm, rápido e constante em todo tipo de pista, só mesmo se passarem a enfrentar uma série de dificuldades, como eu no ano passado, para perderem o campeonato”, disse Alonso. Nessa mesma época, em 2012, Alonso saiu de Monza com 39 pontos de vantagem para Vettel. Alonso liderava com 179 e Vettel, quarto, tinha 140. Mas foi o alemão que comemorou o tricampeoanto.

Nesta temporada, com 53 a mais de Alonso e com o modelo RB9-Renault da Red Bull voando, a conta que a Fórmula 1 já faz é em que etapa Vettel celebrará o tetracampeonato, aos 26 anos. As apostas maiores entre os profissionais da Fórmula 1 é de que será no GP da Índia, dia 27 de outubro, ou no máximo no de Abu Dabi, 3 de novembro.

Nos 64 anos de história da Fórmula 1 não há nada que se aproxime nem de longe da longa listas de recordes de precocidade antológicos estabelecidos por Vettel. Com todos os méritos.

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