Alonso e Massa admitem a dura realidade da Ferrari

liviooricchio

08 de abril de 2011 | 14h16

08/IV/11

Livio Oricchio, de Kuala Lumpur

 As variáveis numa corrida de Fórmula 1 são tantas que, de repente, na prova de Sepang, amanhã, Fernando Alonso e Felipe Massa se aproveitam de uma condição favorável, como a estratégia certa, e até mesmo vençam o GP da Malásia. Mas se a realidade da Ferrari prevalecer, a prova seguir seu curso normal, os dois deverão terminar as 56 voltas bem frustrados.

 Ontem, depois dos dois treinos livres, Alonso e Massa compreenderam o que já suspeitavam após a prova de Melbourne, dia 27: o modelo 150º Italia da Ferrari é bem mais lento que o RB7 da Red Bull e o MP4/26 da McLaren.

  A expressão de Alonso e Massa, na sala de entrevistas, refletia com perfeição o seu estado de espírito. E da escuderia italiana. Depois de três horas de treinos livres na pista malaia, sob calor intenso, o espanhol registrou o nono tempo, a 1,7 segundo de Mark Webber, da Red Bull, o mais rápido, e Massa, o sexto, a 1,2.

  Com ar até um tanto irritado, Alonso comentou: “Tivemos uma pré-temporada excelente, mostramos elevada resistência, mas entendemos agora não ter referência precisa da nossa velocidade. Essa ficou por conta da imprensa.” Os jornalistas são culpados, segundo falou, por criar uma expectativa sobre algo desconhecido.

  Os bons tempos obtidos por ele e Massa não levavam crer que estivessem tão longe da Red Bull. A McLaren ficou o tempo todo bem para trás. “A diferença deles para nós está muito grande”, afirmou Massa, assustado. “Teremos um fim de semana difícil.” O pior é que Alonso não reclamou do carro. “Não é ruim, em absoluto, o que lhe falta, em comparação a Red Bull e McLaren, é velocidade.”

  Na abertura do Mundial, na Austrália, o entusiasmo da equipe italiana com os convincentes treinamentos na pré-temporada caíram por água por causa de Red Bull e McLaren mostrarem-se muito mais velozes. Alonso e Massa justificaram o fraco rendimento, em Melbourne, com a baixa temperatura, 17 graus a do asfalto, o que fazia seus pneus trabalharem abaixo dos 95 graus recomendados pela Pirelli. Mas na Malásia, ontem, o asfalto atingiu 50 graus e a Ferrari foi, da mesma forma, bem mais lenta.

  O discurso de Alonso é de resignação: “Temos um longo trabalho pela frente. O campeonato é extenso”. Explicou o problema maior do 150.º Italia: “Falta de aderência para poder ser mais rápida”. Sua resposta aerodinâmica está bem aquém da gerada pelos carros de Sebastian Vettel, quarto ontem, e Mark Webber, na Red Bull, e Lewis Hamilton e Jenson Button, McLaren, segundo e terceiro.

  Stefano Domenicali já entendeu, também, que os dois engenheiros responsáveis pelos carros da equipe, o grego Nikolas Tombazis e o italiano Aldo Costa, não têm a competência necessária para enfrentar o grupo liderado por Adrian Newey, na Red Bull, e Tim Goss, na McLaren. E o pior é que não há nenhum projetista no mercado que traga consigo a garantia que a Ferrari necessita. E Newey já respondeu “não, obrigado” aos italianos.

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