Alonso e Massa juntos, guerra a vista?

liviooricchio

29 de setembro de 2009 | 12h37

29/IX/09
Livio Oricchio, de Suzuka, Japão

Assim que Stefano Domenicali, diretor geral da Ferrari, praticamente confirmou, domingo, em Cingapura, que a equipe vai anunciar Fernando Alonso nos próximos dias, o clima no time italiano em 2010 passou a ser assunto de conversas entre pilotos, técnicos, dirigentes e jornalistas. A convivência de Alonso com outro piloto veloz, capaz e de sangue latino e quente como Felipe Massa pode ser “explosiva”, acredita muita gente.

A imprensa da Itália já publicou, ontem, que quinta-feira, em Suzuka, onde será disputado domingo o GP do Japão, prova que pode definir Jenson Button como campeão de 2009, a Ferrari confirma a realização de um sonho: contar com Alonso, campeão do mundo de 2005 e 2006 e, como diz Domenicali, em oposição a seu antecessor, Jean Todt, “um piloto com a cara da Ferrari, por sua gana de conquistas”. Todt o chamou de “desonesto” por ter feito um acordo com a Ferrari e, depois de tudo acertado, em 2001, migrou para o lado de Flavio Briatore, então diretor da Renault e empresário de piloto.

“Nós não queremos ser segundo piloto. E com Alonso na equipe o outro piloto não tem chance”, disse Daniele Morelli, empresário de Robert Kubica, da BMW, em Cingapura. “Se Alonso sair nós entregamos o contrato assinado para a Renault”, afirmou. O anúncio de Kubica com os franceses deve ser simultâneo ao de Alonso. A declaração dá bem o tom de como a Fórmula 1 vê o asturiano: competência extrema, mas que necessita a equipe gravitando ao seu redor para produzir o que sabe.

Na Ferrari será assim?, questiona-se. “Vivemos nova realidade. Não há preferências na Ferrari”, garantiu Domenicali ainda antes de o campeonato começar. Cumpriu com isenção exemplar este ano e o passado também. Portanto, se Alonso pensa que os italianos trabalharão como a Renault, terá de rever a expectativa. E aí podem começar os problemas da Ferrari. “Se Alonso iniciar o próximo campeonato perdendo para Massa, será o inferno”, comentou uma fonte da McLaren, de visão semelhante a outra da Renault da época de Benetton ainda.

Em 2007, Alonso e Lewis Hamilton compartilharam a McLaren. O espanhol perdeu algumas disputas para o jovem e talentosíssimo inglês e passou a acusar a McLaren de favorecê-lo. E tal qual o piloto inglês na McLaren, Massa tem excepcional ambiente na Ferrari. Está lá desde 2003, como piloto de testes, e ao lado de Michael Schumacher, desde 2006, mostrou notável evolução, a ponto de não ser campeão, ano passado, por um ponto.

Além da escuderia ao seu lado, que o adora, literalmente, Massa tem outra liderança forte de verdade para defendê-lo: Schumacher. O alemão se refere a Massa como “o irmão mais jovem”. E, se Alonso e Schumacher nunca brigaram para valer, o histórico do relacionamento de ambos jamais foi também dos mais afetuosos.

“Para quem já foi companheiro de Michael Schumacher, o mais completo piloto que vi, não tenho problema em dividir a equipe com ninguém”, vem dizendo Massa que, ontem, pilotou kart na Granja Viana visando regressar às pistas no GP de Abu Dhabi, último do calendário, dia 1.º de novembro. Mas, mesmo cheio de confiança e contando com o mesmo apoio dado pela equipe a Alonso, seu desafio será dos maiores: o espanhol é considerado o melhor depois do surgimento de Schumacher, em 1991.

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