Alonso está irreconhecível

liviooricchio

11 de julho de 2010 | 17h55

11/VII/10

Amigos, esse é o texto de minha coluna nesta segunda-feira no Jornal da Tarde

  Já expus esse ponto de vista algumas vezes: para mim, Fernando Alonso é o piloto mais completo da atualidade e um dos melhores que vi correr. Mas este ano seu trabalho está abaixo da crítica, ainda que sua velocidade extraordinária se mantenha intacta. O que ele fez ontem em Silverstone não condiz com a condição de bicampeão do mundo de grande reputação.

  Alonso tem demonstrado ser mais fraco emocionalmente do que parecia. Na McLaren, vivemos de perto situação semelhante quando perdia a disputa para Lewis Hamilton. Agora está pior. Como não consegue os resultados que sua ebulição interna lhe cobra causticamente, pelo que se esperava dele na Ferrari, faz de tudo.

  Largou mal, acabou atrás de Felipe Massa depois da curva 4, não de lado, e bateu no companheiro de Ferrari. O choque aconteceu entre o seu aerofólio dianteiro e o pneu traseiro de Massa. Penso até que Massa deveria ter sido mais contundente nas suas declarações, ontem. Não fosse o toque, Massa completaria a primeira volta em quinto lugar, o que o levaria a lutar com Nico Rosberg, da Mercedes, pelo pódio. E como ele precisa de um desempenho desses.

  Durante a corrida, ocorreu algo impensável. A direção da Ferrari, no muro dos boxes, recebeu a orientação da direção de prova para Alonso deixar Robert Kubica, da Renault, reultrapassá-lo, já que cortara a chicane para ganhar a posição do polonês. Alonso não atendeu o time. Viu que Kubica perdeu velocidade por causa de seus problemas e achou que isso serviria de pretexto para não lhe restituir a posição. Claro que foi punido.

  O espanhol parece tomado por esse estado de espírito: obter resultados, custe o que custar. Está me lembrando um outro campeão, para quem os fins justificam os meios. Muito ruim para Alonso.

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