Alonso exige tudo e mais um pouco da Renault

liviooricchio

10 de outubro de 2007 | 17h51

10/X/07
Livio Oricchio, de Johanesburg, África do Sul

Amigos, fiz um pit stop breve aqui na África do Sul, menor do que gostaria. Amanhã já embarco para São Paulo a fim de na segunda-feira entrar na loucura do GP do Brasil.

No fim de semana irei ler os comentários do GP da China, os que me faltam, para definir os vencedores dos três ingressos do GP do Brasil e um passeio pelos boxes, quinta-feira, além de um exemplar do meu livro sobre os 50 Anos das Mil Milhas e do Anuário do Reginaldo Leme.

Li os comentários que sinalizavam dificuldades para inserir os textos no concurso e entrei em contato com o pessoal de São Paulo para encontrar uma maneira de resolver a questão.

Aqui mesmo que Johanesburgo leio a informação de que a Renault expôs seu planejamento para 2007 e decidi resgatar uma conversa com Pat Symonds, sábado, lá na China. Tem tudo a ver uma coisa com a outra. Nosso próximo encontro será já em São Paulo.

Início

As lições com a temporada na McLaren, a mais desgastante da sua carreira, estão levando Fernando Alonso a exigir tudo o que considera seu direito e mais alguma coisa a Flavio Briatore, diretor da Renault, com quem negocia o retorno à equipe.

Várias impedimentos têm de ser contornados para o espanhol que tenta no GP do Brasil, dia 21, ser tricampeão do mundo voltar ao time onde conquistou os títulos de 2005 e 2006. Mas mesmo sem saber se dará certo, Alonso exige, por escrito, tratamento diferenciado dentro da escuderia.

Ontem a imprensa espanhola publicou os planos da Renault para 2008, apresentados a Alonso. Sábado, em Xangai, uma fonte disse: “Alonso impõe ser o primeiro piloto, decidir sua estratégia de corrida independentemente do companheiro, não disponibilizar todos os detalhes de ajuste, garantias de que as novidades técnicas serão incorporadas primeiro no seu carro e ainda quer o carro reserva em todo GP”.

Fala-se até interferir da escolha do companheiro. Não recomendaria Nelsinho Piquet, por temer passar algo semelhante ao experimentado ao lado de Lewis Hamilton na McLaren.

Enquanto o campeonato não acaba, Briatore segue conversando com Alonso e seu empresário a respeito de como será a relação do espanhol com a equipe no caso de tudo dar certo. O maior problema é o pagamento da multa rescisória para romper o contrato de três anos com a McLaren, estimada em US$ 30 milhões, isso se os advogados de Alonso não provarem que a punição ao time, por espionagem, não lhe garantir o direito de sair sem pagar o estipulado.

Pat Symonds, diretor de engenharia, explicou sábado, na China, que Alonso encontrará a mesma estrutura técnica de seu tempo, responsável pelo bicampeonato, como o projetista-chefe, Tim Densham, o diretor-técnico, Bob Bell, e o responsável pela área de motores, Bob White.

“Nosso carro tem concentração mais elevada de peso no conjunto traseiro, o que o diferencia sobremaneira dos modelos da McLaren e da Ferrari e é um dos motivos do desempenho abaixo do esperado este ano”, disse Symonds. O que está sendo apresentado a Alonso é isso: que a Renault tem consciência da razão principal de seu carro não ser competitivo, este ano, e os detalhes do projeto do modelo de 2008, bastante distinto.

A mesma fonte que informou as atuais exigências de Alonso disse que a saída do piloto decorreu da falta de uma política a longo prazo da montadora. “Alonso estava muito bem conosco, acabara de conquistar o primeiro título, dele e nosso, no fim de 2005, mas, como nós, desconhecia o futuro da equipe.”

Falou mais: “Essa indefinição somada às promessas de Ron Dennis, bem como um contrato de valores muito mais altos do que ganhava o levaram a transferir-se para a McLaren.”

A partir daí foi Bernie Ecclestone, a quem Alonso procurou para pedir ajuda, quem desvendou o mistério pelas acusações do espanhol a Ron Dennis: “Prometeram-lhe tudo, verbalmente, e quando o campeonato começou Alonso viu que as coisas eram diferentes. É por isso que ele ataca seu time, por não estarem cumprindo com o que lhe foi prometido.”

A explicação de Ecclestone deixa claro, agora, porque Alonso irá colocar no papel o que pensa ser um direito como bicampeão do mundo. Mas é bom tanto ele quanto Briatore estarem preparados. Na China, Ron Dennis já adiantou que não haverá concessões. Quer sair? Tudo bem. Mas paga antes o que é direito da McLaren.

FIM

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