Alonso: "Exploramos apenas 20% do potencial da nova Ferrari"

liviooricchio

10 de fevereiro de 2012 | 22h17

10/II/12

Livio Oricchio, de São Paulo

  O melhor tempo no último dia de treinos ontem, em Jerez de la Frontera, não ilude Fernando Alonso: “Exploramos ainda apenas 20% do potencial na nova Ferrari”, afirmou à imprensa espanhola. Alonso usou pneus macios e registrou a marca de 1min18s777 de manhã, quando a pista da Andaluzia de 4.428 metros estava mais rápida.

 Queixou-se do tempo perdido nos boxes. “Além de descobrir mais o carro temos de trabalhar na sua resistência. Completamos apenas 39 voltas em 8 horas de testes”. Bruno Senna, com a nova Williams, percorreu ontem 125 vezes o traçado espanhol, o equivalente a dois GPs. Alonso permaneceu horas parado para a Ferrari modificar o posicionamento do terminal de escape, voltando-o mais na direção do aerofólio traseiro, como já faz a maioria das equipes.

  A Red Bull segue o desenvolvimento do seu já veloz RB8-Renault, ainda não totalmente confiável, normal para o primeiro treino. O bicampeão do mundo obteve o tempo de 1min19s606, sem andar muito, 50 voltas, terceiro melhor. O alemão comentou que há diferença importante para o monoposto do ano passado. “Não temos aquela pressão aerodinâmica impressionante. O regulamento mudou.” Apesar do bom estágio do time, Vettel, como Webber, reconhece que será um campeonato mais difícil para Red Bull.

  Mas o RB8 ser rápido não é novidade. Há naturalmente uma concentração de interesse no F2012 da Ferrari pelo arrojo das soluções do projeto e por se tratar da escuderia mais mítica da Fórmula 1. Alonso afirmou que a equipe se apresentará para a segunda série de testes, de 21 a 24, no Circuito da Catalunha, em Barcelona, em condição bem melhor que em Jerez.

  “Fomos obrigados a completar 60 ou 70% das voltas aqui em velocidade constante, para os técnicos levantarem dados”, explicou. “A responsabilidade nossa (dos pilotos) cresceu ainda mais por termos de ser precisos ao informar os engenheiros, porque tudo é novo e não fácil de ser entendido.”

  Nem tudo é dúvida, no entanto, no projeto inovador da Ferrari, descrito por Alonso aos jornalistas espanhóis: “O ponto positivo é o aquecimento dos pneus. Eles chegam rápido à temperatura ideal”. Nos dois últimos anos esse foi o maior problema da Ferrari, motivo principal de nas classificações, em especial, Alonso e Massa ficarem tão para trás em relação à Red Bull. Em condição de corrida essa dificuldade manifestava-se menos.

  A exemplo do demonstrado desde o primeiro dia, a Toro Rosso com o seu novo STR7-Ferrari causou boa impressão ontem de novo. O talentoso e jovem francês de 21 anos, estreante na Fórmula 1, Jean-Eric Vergne, estabeleceu o segundo tempo do dia, 1min19s597 (80 voltas).  E sem impressionar e, também, decepcionar, a McLaren seguiu sua preparação com Lewis Hamilton. Foram 86 voltas com 1min19s640 na melhor, quarto.

  Outro bom dia de trabalho para Bruno Senna, ao completar 125 voltas, com direito até a uma simulação de corrida ainda na primeira série de treinos com o FW34. “O carro é dócil e confiável”, afirmou. Sobre sua velocidade, comentou ser difícil saber porque a quantidade de gasolina que cada piloto transporta é desconhecida. Na melhor passagem Bruno registrou 1min20s132, oitavo, a 1 segundo e 255 milésimos de Alonso. “Temos uma boa base para crescer”, disse Bruno. Ele pilota o FW34 em Barcelona nos dois primeiros dias.

 

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