Alonso faz a diferença

liviooricchio

26 de setembro de 2010 | 15h46

26/IX/10

Sexta-feira escrevi que a Red Bull só perdia o GP de Cingapura para ela mesma. E não penso ter me equivocado. O excepcional Fernando Alonso venceu a prova no sábado, no treino classificatório. E por conta de um erro de Sebastian Vettel. O alemão admitiu não ter tirado tudo o que o impressionante RB6-Renault da Red Bull permitia. Já Alonso levou a Ferrari F10 ao extremo dos extremos e registrou uma marca 67 milésimos de segundo melhor que o de Vettel: pole position.
O espanhol sabia que se Vettel largasse na frente, depois do que viu nos três treinos livres, o máximo a que poderia aspirar seria terminar a corrida em segundo. Mas Alonso não errou como Vettel na definição o grid, sábado, e ontem, mesmo com Vettel dispondo de um carro mais veloz, ganhou o GP de Cingapura. Às vezes me impressiono quando ouço ou leio que o piloto não faz diferença na Fórmula 1. Foi Alonso, essencialmente, quem ganhou o GP de Cingapura.

Nas últimas cinco etapas, Alemanha, Hungria, Bélgica, Itália e Cingapura, ou seja, desde que a Ferrari passou a usar uma versão bem mais eficiente do F10, Alonso venceu três, Hockenheim, Monza e Marina Bay, e terminou em segundo em Budapeste. Bastou dispor de um monoposto capaz de lhe permitir lutar pelo primeiro lugar para Alonso começar a ganhar quase tudo. Com um carro pouco competitivo, o espanhol tentou corresponder ao que se esperava dele na Ferrari e cometeu erros numa frequência nunca vista na sua carreira.

Felipe Massa teve problemas na classificação, sábado, sem nenhuma responsabilidade no ocorrido. Mas não consigo ver Massa este ano realizando trabalho como o de Alonso sábado e, ontem, sob imensa pressão de Vettel a corrida toda. Quem de novo jogou pela janela, ontem, parte do espetacular trabalho que desenvolvia este ano foi Lewis Hamilton. O emocional não é mesmo o seu forte. O que ele desejava? Que Webber freasse para lhe facilitar a ultrapassagem?

Vamos, agora, para a reta final do campeonato.  Acredite, ainda há dúvida quanto à realização do GP da Coreia do Sul, dia 24 de outubro. Serão, portanto, quatro ou três provas para o encerramento da temporada. O matador asturiano está a apenas 11 pontos de Mark Webber (202 a 191). Antes da etapa da Alemanha, Hamilton liderava com 29 pontos de vantagem para Alonso (127 a 98).

A experiência de Cingapura sugere ser perigoso dizer que a Red Bull tem elevas possibilidades de ganhar o GP do Japão, próximo do calendário, por Suzuka ser o traçado que talvez melhor se ajuste às características do modelo RB6. A prova no circuito Marina Bay também indicava ser bastante favorável a Vettel e Webber. Mas quando há em cena um piloto com a competência de Alonso, é saudável os adversários, mesmo que favoritos, ficarem bem atentos.

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