Alonso: 'Red Bull joga bem, mas quem ganha o jogo é a Ferrari'

liviooricchio

25 de março de 2010 | 17h11

26/III/10

Notas do GP da Austrália

Livio Oricchio, de Melbourne

  Fernando Alonso foi cáustico ao comentar a maior velocidade da Red Bull, que pode, hoje  (sexta-feira, meia noite, horário de Brasília), dar a pole position a Sebastian Vettel ou Mark Webber: “Uma coisa é você ser rápido. Outra é ganhar corridas. É como no futebol, não é só jogar bem, mas vencer as partidas.” Vettel liderou a maior parte do GP de Bahrein, mas a vitória ficou com Alonso.

 

  Enquanto a maioria dos pilotos acredita que para Michael Schumacher voltar a se impor nas corridas, como antes, é apenas uma questão de curto espaço de tempo, para Fernando Alonso a situação não está muito clara: “Precisamos esperar duas ou três corridas para poder responder a questão.” Alonso é o único a deixar em aberto a possibilidade de Schumacher não ser o mesmo de antes.

 

  Patrick Head, sócio e diretor de engenharia da Williams, discordou sempre do fim do reabastecimento por acreditar que as “corridas ficariam sem graça”. Ontem, depois de ouvir as pesadas críticas à proibição de reabastecer, o inglês disse: “Se todos concordarem, podemos voltar atrás, a partir de 2011. Todas as equipes dispõem do equipamento. Mas vamos esperar mais corridas para entender se o fim do reabastecimento não funciona mesmo.” E imitou, rindo, Flavio Briatore, quando o italiano defendeu a medida: “Ele falava alto e gesticulava ‘mas por que ter de levar esse monte de equipamento pesado para as corridas?’ Custava cara transportar o maquinário.

 

  Ao contrário do que os fãs da Ferrari estão dizendo depois da vitória de Fernando Alonso, em Bahrein, que a equipe vai ser campeã, Felipe Massa lembrou, no circuito Albert Park: “O Vettel (Red Bull) só não ganhou em Bahrein porque teve um problema no carro. Eles são hoje os mais rápidos na Fórmula 1.”

 

  Algumas horas antes da largada no circuito de Sakhir, a Ferrari substituiu o motor do carro de Felipe Massa e Fernando Alonso. Cada piloto tem direito a oito motores por temporada. “Os motores não quebraram. Apenas agimos com prudência. Esses mesmos motores serão usados aqui na Austrália, nos treinos livres e na classificação”, explicou Massa.

 

  Bruno Senna, da Hispania, confia na evolução do carro, em Melbourne. “Em Bahrein, tínhamos na classificação mais gasolina no carro, cerca de 25 quilos, por causa do pescador do tanque, que não funcionava direito,  o acerto completamente equivocado, que acabou com os pneus em poucas voltas, e eletrônica para proteger o câmbio, mas roubava potência. Aqui em Melbourne essas questão foram resolvidas.” Na coletiva da FIA defendeu testes para as equipes estreantes.

 

  Os australianos não vão perdoar Lewis Hamilton, da McLaren, tão cedo. A TV nacional deu destaque à declaração do piloto da McLaren, sobre Mark Webber, o ídolo local. O inglês recomendou que ele se aposentasse este ano, “para aproveitar o auge”. Webber respondeu: “Não está nos meus planos parar”. As desavenças entre ambos são antigas. Webber criticou Hamilton por não fazer parte da associação dos pilotos (GPDA), da qual é diretor.

 

   Michael Schumacher confirmou, ontem, que não voltará para a GPDA, por enquanto. “Eles fizeram um bom trabalho, não precisam de mim.” A imprensa lhe perguntou se procedia a informação de que não desejava pagar a alta taxa cobrada: “Vai ver eu não tenho dinheiro para pagá-la”, disse, rindo. Schumacher vai faturar, este ano, 60 milhões de euros entre contratos com a Mercedes e de publicidade.

  O convite, originalmente, foi feito a Emerson Fittipaldi, no GP de Bahrein, mas diante de não poder estar no fim de semana em Melbourne, Jean Todt, presidente da FIA, chamou o dinamarquês Tom Kristensen para assessorar os comissários desportivos no GP da Austrália. Kristensen tem no currículo impressionantes oito vitórias nas 24 Horas de Le Mans e cinco nas 12 Horas de Sebring, com carros de turismo. Em Bahrein, a tarefa coube a Alain Prost. Nos últimos anos da presidência de Max Mosley, o enviado era Alan Donelly, que nada mais fazia que reportar a Mosley o que se passava e era dele que surgiam as orientações sobre o que os comissários deveriam decidir. Agora há bem menos política e mais esporte.

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