Alonso testa a nova McLaren e muda radicalmente o discurso

liviooricchio

17 Janeiro 2007 | 18h14

Dois dias apenas depois de demonstrar otimismo exagerado, um tanto incompreensível até, com relação às perspectivas da McLaren este ano, Fernando Alonso caiu, hoje, na real. Bastou o primeiro treino com o novo carro da McLaren, MP4/22, em Valência, para o seu discurso ser bem diferente do da apresentação do monoposto: “Temos de buscar a confiabilidade no equipamento, sempre existe onde melhorar.”

Alonso entrou na pista do autódromo Ricardo Tormo às 10h11. Em seguida à pausa do almoço, o espanhol experimentou o primeiro problema com o carro. Um vazamento de óleo o deteve parado nos boxes por mais de uma hora. “Rompeu o tanque de óleo, parecia que o motor havia quebrado, mas graças a Deus foi só um vazamento”, explicou o piloto, sem especificar se era óleo do cárter do motor, transmissão ou sistema hidráulico. Quem estava no circuito viu uma fumacinha branca fluindo da parte posterior da carenagem.

No caso de ser clara, pouco densa, o mais comum é que sua origem seja no cabeçote do motor. Você lembra da última prova de Suzuka, em que o Michael Schumacher praticamente perdeu o campeonato? Pois bem, aquela é a clássica fumacinha de cabeçote em pane. Já verdadeiras erupções vulcânicas, em que a fumaça é branca mesmo, densíssima, mais para espetáculo pirotécnico, representam rompimento nas porções mais baixas do motor, como um pistão.

Hoje na Fórmula 1 é possível substituir um motor em apenas 20 minutos. Na realidade, no caso de necessidade de troca, todo o conjunto traseiro, motor, câmbio, suspensão e aerofólio, é substituído. A equipe separa o motor da parede do tanque no monocoque, fixado, em geral, com apenas quatro parafusos, e as conexões hidráulicas e elétricas. A seguir instala todo o conjunto novo, regulado com as especificações do que estava lá. Não é de se excluir que a McLaren tenha trocado o motor Mercedes no teste. O carro permaneceu parado por mais de uma hora.

Segunda-feira, Alonso disse sentir-se outro homem este ano. Hoje ele também foi outro homem, ao menos comparado com o da apresentação do MP4/22. Ao pé da letra, afirmou há dois dias: “Não sei a Ferrari e a Renault, mas nós vamos lutar pelo título.”

Hoje o asturiano conversou com a imprensa no circuito Ricardo Tormo. Leia o que disse: “É cedo para dizer que vamos lutar pelo título e muito cedo para que os jornais publiquem que iremos disputar o Mundial. É cedo para criar expectativas falsas. A McLaren é uma equipe grande e o carro foi bem na pista. Estou contente, mas falta muito e teremos, ainda, de testar em conjunto com nossos concorrrentes.”

Nada menos de 7.800 torcedores acompanharam o primeiro treino do herói da Espanha em Valência. O mais completo piloto que surgiu na Fórmula 1 depois da estréia de Michael Schumacher, em 1991, falou mais sobre suas perspectivas: “Hoje estivemos com a BMW na pista, mas acredito que Renault e Ferrari serão os nossos rivais. Depois do primeiro teste em conjunto com eles as coisas ficarão um pouco mais claras.”

A competência extrema de Alonso autoriza que projetemos uma McLaren mais forte este ano. Ele, sozinho, faz diferença. E muita. A Renault vai ver quanto. Mas a história da Fórmula 1 mostra que não se recupera a diferença de velocidade que o time apresentava ano passado para a Ferrari e a Renault, mais a falta de confiabilidade no seu conjunto chassi-motor, de um campeonato para o outro apenas porque a escuderia conta, hoje, com o melhor piloto em atividade.

Alonso impulsionará a McLaren. Faz sentido imaginarmos que vencerá uma ou outra corrida. O surpreendente será se, de repente, a McLaren resolver todas suas dificuldades, em especial de resistência do equipamento, e permitir Alonso lutar pelo título já este ano. A McLaren teria de avançar bem, mas bem mais que Ferrari e Renault. Sempre possível, lógico, mas pouco provável.

Três pilotos treinaram, hoje, em Valência:
1.º Fernando Alonso, McLaren MP4/22 , tempo de 1min12s053 (57 voltas)
2.º Nick Heidfeld, BMW F1.07, com 1min12s169 (52)
3.º Robert Kubica, BMW híbrida, 1min12s571 (123)

Sobre o resultado, Alonso comentou: “Fui o mais rápido por milagre. Saí para a última série de voltas com bem pouca gasolina. Gosto de ser o primeiro, mesmo que seja num treino livre.”

Em Jerez de la Frontera, também no sul da Espanha, testaram Renault, Super Aguri e Williams. Os tempos:
1.º Giancarlo Fisichella, nova Renault R27, com 1min20s193 (114) voltas
2.º Anthony Davidson , Super Aguri de 2006, com 1min20s266 (113)
3.º Kazuki Nakajima, Williams-Toyota híbrida, 1min20s393 (139)
4.º Heikki Kovalainen, nova Renault R27, com 1min20s617 (43)

Amanhã vamos falar do início dos treinos da Renault. Hoje Fisichella completou mais de a distância de um GP (114 voltas), no primeiro ensaio do carro, sem uma única dificuldade técnica. Além de registrar um bom tempo. O time francês, de novo, dá mostras de vir muito forte.
Abraços!