Alonso volta a sorrir

liviooricchio

15 de janeiro de 2008 | 19h52

Oi turma.

Viram os tempos de hoje? Não se deixem levar, por favor, pelo primeiro tempo do Fernando Alonso no dia da sua volta à equipe Renault, depois de um ano profundamente desgastante na McLaren, segundo ele próprio. O espanhol deu uma entrevista, hoje, em Jerez de la Frontera. A íntegra da conversa vocês têm num dos posts no ar. Está em inglês.

A marca de 1min19s503 (70 voltas) tem uma explicação: “De manhã usei os mesmos pneus utilizados ontem por Nelsinho Piquet e, à tarde, instalei pneus novos e cresci na classificação. Foi isso.” Portanto, não pensem que foi o piloto que, de repente, fez o modelo de 2007 da Renault ser mais veloz até que os novos carros da Ferrari e da McLaren. Mas me chamou a atenção sua análise do R27, monosposto execrado por Heikki Kovalainen e Giancarlo Fisichella, a dupla da Renault.

Alonso falou: “Não daria para vencer numa temporada dominada pela McLaren e a Ferrari. Como primeira impressão, posso dizer que não é um grande carro, mas esperava fosse mais difícil de pilotá-lo, esperava mais problemas.” Esbanjou confiança no modelo R28 que semana que vem vai com ele mesmo para a pista pela primeira vez, em Valência. O R28 foi concebido pelos engenheiros responsáveis pelos projetos que levaram Alonso a ser campeão em 2005 e 2006 na Renault, Tim Densham e Dino Toso.

Sabe o que me levou a ler duas vezes também: “Vou regressar o hotel, hoje, muito contente com o trabalgo que realizamos, melhoramos significativamente o equilíbrio do R27.” Reparem, amigos, o que um grande piloto é capaz de fazer. Não levando em conta o tempo de hoje, hein, mas percebam como sua sensibilidade, capacidade, conhecimento, experiência é capaz de tornar um monoposto comprovadamente ineficiente em bem menos ineficiente. Vimos aí o dedo de Alonso já se manifestando na Renault.

E o asturiano irá regressar ao hotel mais feliz em razão de o ambiente na escuderia francesa ser bem distinto do que enfrentou na McLaren. Acompanhei de perto sua temporada na McLaren. Não foi preterido pelo time em nenhum momento, como tantas vezes afirmou. Mas claramente o grupo de cerca de 80 integrantes da McLaren nos circuitos, a grande maioria de ingleses, torcia abertamente para Lewis Hamilton.

O espanhol equivocadamente atribuiu algumas de suas derrotas para Hamilton ao tratamento diferenciado ao britânico. Improcedente. Agora não vive mais esse desgaste. Na Renault, a maior parte dos técnicos e mecânicos que vai às corridas é inglesa também, enquanto Alonso é espanhol e Nelsinho, brasileiro. O maior dos seus desconfortos em 2007 não o incomodará mais. Quem o viu no autódromo afirmou que o seu sorriso está de volta. Na McLaren, em especial na segunda metade do campeonato, amarrou uma cara que não dava a chance de ninguém se aproximar dele.

Se o R28 nascer sem nenhum problema crônico como o R27, acredito que o talento de Alonso o fará, seguramente, vencedor. Pode não ser de imediato, mas o time vai crescer bastante na temporada.

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