Anúncio do tímido plano de economia da Fota já gera desdodramentos

liviooricchio

28 de junho de 2009 | 23h29

28/VI/09
Livio Oricchio

Foi só a Fota anunciar, quinta-feira, o seu plano de reduzir despesas para os problemas começarem a surgir. A primeira reação contundente veio do presidente da FIA, Max Molsey, que diante da timidez das medidas e das declarações de Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari e da Fota, ameaça relançar-se candidato na eleição de outubro.

No fim de semana foi a vez de o proprietário de uma das novas equipes, John Booth, da Manor, afirmar quando questionado se inscreveria seu time na Fórmula 1 se soubesse que o regulamento em 2010 será o deste ano e haverá cortes de custos de apenas 25%: “Provavelmente não”.

Uma das razões da briga entre Mosley e a Fota foi a imposição do limite orçamentário de £ 40 milhões ou US$ 60 milhões. E esse representou o principal atrativo para três novas escuderias se apresentarem a fim de disputar a Fórmula 1. Hoje o orçamento de equipes como Ferrari, McLaren, BMW, Toyota, Renault está ao redor de US$ 240 milhões. Como a Fota projeta 25% a menos em 2010, cada uma irá investir cerca de US$ 180 milhões.

Os valores projetados para a próxima temporada são três vezes superiores aos que, em princípio, se imaginou que seriam necessários. Apesar do compromisso das cinco montadoras com Mosley de fornecer equipamento e repassar tecnologia aos times novos, a diferença entre o que John Booth, da Manor, Adrian Campos, da Campos, e Ken Anderson, da US F1, imaginavam que gastariam e o que a realidade lhes irá impor é enorme.

Mosley reclamou da forma como Montezemolo se comportou depois do acordo de Paris, quarta-feira, lembrando não ter sido humilhantemente derrotado, como definiu o italiano. Mas sua maior bronca foi essa: a economia reduzidíssima que se busca para a Fórmula 1 a partir de 2010, anunciada pela Fota. Poderá, de fato, comprometer a sobrevivência das novas escuderias.

Nem tanto ao mar, mas nem tanto à terra. O valor estipulado por Mosley erra irreal, não haveria como, só a folha de pagamento das equipes…Agora, reduzir em 25% o orçamento de hoje da mesma forma soa como fora da realidade, do próprio momento econômico das montadoras e da capacidade de investimentos dos times novos, todos independentes de grandes grupos industriais.

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