As explicações de Massa e da Ferrari

liviooricchio

23 de março de 2008 | 13h23

23/III/08
GP da Malásia
Livio Oricchio, de Kuala Lumpur

Início

Quando Michael Schumacher abandonou a Fórmula 1, no fim de 2006, e Felipe Massa recebeu todo apoio do alemão e da direção da Ferrari, os brasileiros que gostam de seguir as corridas do Mundial resgataram parte do espírito adormecido desde a época em que os pilotos do País disputavam o título, de 1972 a 1993. A Fórmula 1 renasceu para muita gente.

Mas o responsável por relançar o Brasil na luta pelo campeonato tem falhado. Ano passado foi assim e nesta temporada ainda mais. Ontem, Massa jogou fora o segundo lugar mais fácil da carreira. Rodou sozinho na 30ª volta de um total de 56 do GP da Malásia, no circuito de Sepang. O erro somado ao que já cometera uma semana antes, na abertura do Mundial, na Austrália, o deixa em situação delicada na equipe, para não se mencionar que parte importante da sua torcida já perdeu a confiança na possibilidade de vir a ser campeão.

“Não sabemos o que aconteceu. Na curva anterior (a de número 6), eu toquei com um pouco mais de força a zebra (a externa, de saída da curva) e pode ter quebrado algo no carro”, explicou Massa. Luca Colajanni, assessor da Ferrari, disse durante a entrevista do vencedor, seu companheiro, Kimi Raikkonen, pouco antes, que a equipe não havia encontrado nada de errado no F2008.

Mais tarde, na sala de imprensa, deu a versão oficial. “Quando Massa tocou a zebra na curva 6 com mais força do usual, criou no carro fluxos aerodinâmicos que o deixaram desequilibrado, por transferir parte da pressão gerada para a frente”, falou.

“Ao começar a curva seguinte, a número 7, a traseira do carro de Massa escapou de repente por causa desse desequilíbrio aerodinâmico.” Na realidade, Massa derrapou depois de contornar a curva 7, na entrada da 8. Mas afinal, o piloto errou o não? “Consideramos o toque na curva 6 acima do normal um pequeno erro que, em razão da natureza das curvas seguintes, gerou a saída de pista”, afirmou Colajanni.

Massa não demonstrou estar muito incomodado: “Estou tendo um início de campeonato muito ruim, mas dá para me recuperar, há 16 etapas ainda, há tanta coisa por acontecer.”

Mas reagiu com irritação quando lhe perguntaram como acha que os fãs da Ferrari iriam encarar outro erro: “Em primeiro lugar, não devo demonstrar nada a ninguém. Toquei forte a zebra da curva 6 e o carro saiu estranhamente depois. O que tenho a fazer agora é pensar na próxima corrida, o campeonato é longo.” O saldo do GP da Malásia, comentou, é a comprovação de que a Ferrari construiu um grande carro. “Muito rápido e agora confiável. Não vou abaixar a cabeça.”

Não deixou de dar uma alfinetada na própria equipe ao falar de seu pit stop. Massa largou na pole position e liderou até a primeira parada, na 17ª volta, com Raikkonen sempre próximo, entre 1 e 2 segundos. O finlandês parou na volta seguinte e conseguiu cruzar a saída de box à frente de Massa. “Perdi um pouco de tempo no pit stop”, disse o brasileiro.

Na parada, a Ferrari gastou 8,5 segundos com ele e 7,9 com o companheiro. Mas o principal fator da perda da liderança foram as parciais da volta de Raikkonen antes de entrar no box, as melhores da prova até então. Massa disse que o campeonato iria começar para ele no GP da Malásia. Estabeleceu a pole position e tudo parecia ir muito bem. Até chegar na curva 8 na 30ª volta.

Ano passado Massa desembarcou em Bahrein, terceira etapa do calendário, em situação até menos crítica que hoje, sem ponto algum, e venceu a corrida no Oriente Médio e depois na Espanha, relançando-se na luta pelo título. É a sua única saída agora de novo.

FIM

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