Assim também não, né Villeneuve!

liviooricchio

17 de agosto de 2006 | 16h55

Michael Schumacher é mesmo esse mentiroso que Jacques Villeneuve está dizendo? Em primeiro lugar, é preciso ter em mente que o canadense nutre um ódio doentio por seu desafeto. Portanto, sua leitura do alemão se dá através de uma lente viciada. Mas se pode dizer, também, que as duras críticas a Schumacher sejam apenas fruto de sua antipatia pelo piloto da Ferrari.
Em 1997, logo depois da entrevista coletiva na prova de Jerez de la Frontera, em que Villeneuve conquistou seu título, o filho de Gilles usou da mesma agressividade de agora que está fora da Fórmula 1. “Não me surpreendo. Esse é o seu caráter”, nos disse, conversando como se nada fosse. Instantes antes havia se tornado campeão do mundo e Schumacher tentou colocá-lo para fora da pista. Sempre que o assunto é Schumacher, Villeneuve dá aquela risadinha, como quem deseja dizer: “Vocês (jornalistas) já sabem o que eu penso dele.”
O discurso de hoje apenas segue o que sempre pensou. Não surpreende. Schumacher, por sua vez, ainda que mais sutilmente, não se esquiva de criticar Villeneuve também. No fim de 2003, o canadense estava sem perspectiva para a temporada seguida. Fora dispensado por David Richards da BAR. Perguntaram ao alemão o que ele achava de a Ferrari contratar Jacques Villeneuve para piloto de testes, visando 2004. Schumacher respondeu: “Uma equipe acerta com um piloto apenas quando ele é capaz de fazê-la melhorar, de acrescentar algo ao time.”
Agora, Villeneuve afirmar que por conta das atitudes mesquinhas na pista, Schumacher não será lembrado na Fórmula 1, aí é deixar demais sua antipatia pelo piloto da Ferrari falar mais alto. Será, sim, sempre reverenciado. Aliás, pelo dois aspectos: a mais fantástica obra da história, ao menos em números, e seu caráter de péssimo perdedor. Schumacher, tão grande e tão pequeno ao mesmo tempo.

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