Até Putin foi informado pela Renault dos planos para Petrov

liviooricchio

31 de janeiro de 2010 | 16h43

31/I/10
Livio Oricchio, de Valência

A última vez que Michael Schumacher, o piloto de maior sucesso na história, pilotou um carro de Fórmula 1 como contratado de uma equipe foi no dia 22 de outubro de 2006, em Interlagos, quando terminou em quarto o GP do Brasil, pela Ferrari, depois de estar em último por ter de substituir um pneu. Depois disso, abandonou a competição.

Hoje, no circuito Ricardo Tormo, em Valência, na Espanha, o alemão sete vezes campeão do mundo, agora pela Mercedes, começa a mostrar como será sua volta à Fórmula 1. Seis outras equipes vão treinar com seus modelos 2010 também: Ferrari, McLaren, Renault, Williams, Sauber e Toro Rosso.

Michael Schumacher, Felipe Massa, Rubens Barrichello, Robert Kubica, Kamui Kobayashi são alguns dos pilotos que vão à pista hoje no lento e frio traçado de 4.005 metros. Com apenas 15 dias de testes até a abertura do Mundial, dia 14 de março em Bahrein, será preciso aproveitar cada instante permitido pelo restritivo regulamento.

Ontem, enquanto a Mercedes e a Toro Rosso trabalhavam duro para completar a montagem do carro para o lançamento, hoje, junto da Williams, e em seguida começarem o primeiro treino, a Sauber e a Renault apresentaram seus novos monopostos. Tudo muito diferente do que acontecia há apenas dois anos, em que a pompa desses lançamentos era motivo de disputa entre os principais times. Agora, sem dinheiro para nada, as cerimônias se limitam aos pilotos tirarem o pano que cobre o carro.

Com um número de jornalistas nunca visto antes para uma sessão de treinos preparatórios, a maior novidade, ontem em Valência, foi o fato de o russo Vitaly Petrov aparecer para fotos ao lado de Kubica na Renault, sem sequer ser anunciado. O novo diretor da Renault, Eric Boullier, substituto do polêmico Flavio Briatore, escreveu pessoalmente ao primeiro ministro russo, Vladimir Putin, expondo os planos da Renault para seu piloto.

A companhia estatal de gás da Russia, Gazprom, está investindo cerca de 10 milhões de euros para a nação ter o primeiro piloto na Fórmula 1. A Russia, que já foi a expressão máxima do comunismo, tem agora um representante no que pode ser considerada a expressão máxima do capitalismo, a Fórmula 1. “Haverá muito interesse na Russia com a minha presença na Fórmula 1. Meu objetivo é aprender. Quero estar sempre muito próximo do que fizer Robert Kubica”, disse Petrov, de 26 anos. Ele é o atual vice-campeão da GP2, a ante-sala da Fórmula 1.

O que chamou muito a atenção no modelo R30 da Renault é que quase não apresenta diferença em relação ao equivocado projeto do ano passado, a não ser na pintura e adaptação às novas regras. Já o Sauber C29 não expôs a marca de um único patrocinador. “Nosso orçamento é 40% menor de 2009 e temos, agora, 260 funcionários em vez de 400”, explicou Peter Sauber.

Como a Ferrari e a McLaren, a Renault e a Sauber também tamparam a porção traseira de seus novos modelos para ninguém ver sua solução para o duplo difusor, recurso aerodinâmico que pode aumentar bastante o desempenho do carro.

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