Aumentam as pressões contra Mosley

liviooricchio

04 de abril de 2008 | 16h35

04/IV/08
GP de Bahrein
Livio Oricchio, de Manama

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Antes mesmo de os carros deixarem os boxes do circuito de Sakhir, ontem de manhã, para os primeiros treinos livres do GP de Bahrein, terceira etapa do campeonato, o escândalo em que se envolveu Max Mosley, presidente da FIA, já era notícia novamente. O maior Automóvel Clube da Europa, o da Alemanha (ADAC), distribuiu comunicado onde não poderia ser mais explícito: “Solicitamos ao presidente considerar com cautela sua posição dentro da organização. O cargo de presidente da FIA, representante de mais de 100 milhões de motoristas no mundo, não pode ser manchado dessa maneira”.

E enquanto Felipe Massa estabelecia o melhor tempo do dia, sem colocar uma única roda da sua Ferrari fora da pista, a Federação Holandesa de Automobilismo também pediu a saída de Mosley que, se confirmada, como tudo indica, deve mudar o rumo da Fórmula 1. No belo autódromo, antes, durante e depois dos treinos a postura geral de dirigentes e pilotos era a mesma: “No comments”.

Mas sabe-se que a maioria exige a queda do dirigente flagrado numa orgia sexual sadomasoquista com cinco prostitutas. Ontem, no início da noite, assessores de Mosley informaram terem entrado na justiça contra o jornal britânico News of the World, autor da reportagem, por “danos irreparáveis”. Mercedes, BMW, Toyota e Honda já exigiram que ele deixe o cargo.

Uma nova hipótese surgiu forte, ontem à tarde no circuito, e parece arquitetada por pessoas influentes da própria Fórmula 1. O presidente do Senado da FIA e presidente do Automóvel Clube de Mônaco, Michel Boeri, assumiria um mandato tampão até outubro de 2009, quando haverá eleição para a presidência da FIA.

Boeri não tem a resistência de Jean Todt e do italiano Marco Piccinini, ambos já vice-presidentes da entidade, por suas ligações extremas com a Ferrari. Os dois foram diretores-esportivos da equipe. Os automóveis clubes têm na Europa o papel da Confederação Brasileira de Automobilismo, são os representantes reconhecidos pela FIA como autoridades esportivas da nação.

Bernie Ecclestone, presidente da Formula One Management (FOM), empresa que explora a comercialização dos direitos de TV da Fórmula 1, circulou pelo paddock, ontem, sem constrangimento. Abordou o momento delicado de seu amigo por 40 anos, Mosley. E, pelo visto, como a maioria, não tem como defender publicamente sua permanência no poder: “Esse é um problema da FIA, não nosso. O que posso dizer é que não afetará em nada a Fórmula 1”, afirmou. “Pessoalmente, não tenho nada contra Max.”

Foi Ecclestone quem fez boca de urna, em outubro de 1991, para eleger Mosley em detrimento de seu ex-desafeto, Jean-Marie Balestre, falecido segunda-feira. Apesar do seu interesse no prosseguimento de Mosley na FIA, Ecclestone não pode comprar uma briga com quem investe milhões de dólares no seu evento e, em essência, são as responsáveis, hoje, pela própria existência desse esporte, as montadoras de automóveis. “Sem credibilidade elas vão embora de um instante para o outro”, comentou Jackie Stewart, ontem, também citado como eventual candidato para o mandato-tampão.

A reunião extra da Assembléia da FIA, convocada quinta-feira por Mosley para discutir a invasão da sua privacidade e não para fazer qualquer pronunciamento a seu respeito de seu futuro, custará para a entidade cerca de R$ 5 milhões, segundo a imprensa inglesa apurou. Serão 222 integrantes com todas as despesas pagas pela entidade, em Paris.

As pressões tendem a aumentar muito contra Mosley depois de a Fórmula 1 regressar à Europa em seguida ao GP de Bahrein. As montadoras estão vendo na sua queda, também, a chance para rever muitos aspectos importantes do regulamento imposto por Mosley e que não atendem seus interesses.

FIM

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