Avanços nas negociações. Amanhã novas reuniões.

liviooricchio

22 de maio de 2009 | 17h26

22/V/09
GP de Mônaco
Livio Oricchio, de Mônaco

Quase nada se falou, nesta sexta-feira em Mônaco, do importante treino que definirá o grid da prova, amanhã, a partir das 9 horas, horário de Brasília. Tampouco da perspectiva real de a sessão ser superdisputada, bem como a corrida, domingo, diante de oito pilotos de cinco equipes distintas ficarem separados por apenas sete décimos de segundo no primeiro dia de treinos, quinta-feira. O assunto do dia continuou sendo a luta entre a associação dos times, Fota, e Max Mosley, presidente da FIA, a respeito do regulamento de 2010. Mas a boa notícia é que houve avanço nas negociações.

Foram nada menos de três reuniões. A primeira, de hoje, no motorhome da McLaren, com os principais técnicos e representantes das escuderias. O objetivo foi definir os parâmetros do encontro das 14 horas, entre os dirigentes da Fota, com a presença de Bernie Ecclestone, promotor do Mundial, no iate Blue Force, de Flavio Briatore, diretor da Renault. Durou quase três horas. Tão logo acabou, todos deixaram o iate e a pé mesmo foram à sede do Automóvel Clube de Mônaco, localizado na reta dos boxes, onde Mosley aguardava os representantes da Fota para discutir o seu plano de cortar despesas no ano que vem, definido no encontro, mas sem o limite de orçamento de £ 40 milhões exigido pelo inglês.

E o grupo só saiu de lá próximo já das 20 horas. Sem um acordo, mas o fato de agendarem nova reunião, hoje, sugere mesmo progresso nas discussões. “Não chegamos a um ponto comum, ainda, mas o encontro foi construtivo”, definiu Luca di Montezemolo, presidente da Fota e da Ferrari. “Desejamos uma Fórmula 1 de verdade. Temos, sim, de pensarmos num acordo, mas que assim não há como seguir adiante, quer na maneira de se conceber os regulamentos e como o pretendem também.” A Fota não se conforma com a forma como Mosley impôs as regras do ano que vem sem consultar ninguém.

Ao deixar o Automóvel Clube, o proprietário do time líder dos campeonatos, de pilotos, com Jenson Button, e construtores, Ross Brawn, demonstrou otimismo: “Estamos no caminho certo, de uma forma ou de outra chegaremos a um acordo”. Montezemolo explicou que a proposta da Fota projeta não só a temporada de 2010 mas as duas seguntes também. “Tem de haver estabilidade nas regras, isso, sim, gera redução de custos.” Ao deixar o local, Mosley limitou-se a dizer: “Eles defendem os mesmos pontos de vista de antes, mas vi avanços e tenho esperança num acordo”.

Amanhã a Fota se reúne de novo para emendar seu pacote de medidas destinadas a conter despesas nas próximas edições do Mundial. E a proposta que surgir será utilizada na reunião com Mosley talvez hoje mesmo. Nick Fry, da Brawn GP, falou ontem: “No máximo em uma semana tudo estará acertado”. Há uma corrida contra o tempo para que se chegue a um acordo antes do dia 29, data limite de inscrição no campeonato, e as dez equipes se inscrevam, a fim de evitar novos desgastes até legais quanto a isso.

Antes de ir à reunião com Max Mosley, Montezemolo afirmou que o mais importante foi ver a união da Fota. “Com o regulamento da FIA não nos inscreveremos no próximo campeonato”. Patrick Head, da Williams, no entanto, deu a entender que algumas equipes vão se increver. O prazo começou ontem e termina dia 29.

Duas organizações já levaram ao presidente da FIA seus dossiês de inscrição: a do espanhol Adrian Campos, ex-piloto de Fórmula 1 e dono de uma escuderia de Fórmula 3 na Espanha, e a liderada pelo inglês Peter Windsor, mas na realidade trata-se do projeto de um time norte-americano, USGP.

Bernie Ecclestone disse, pela manhã, que existe um contrato entre a FOM, sua empresa, detentora dos direitos comerciais da Fórmula 1, e as equipes. “Sempre cumprimos nossos compromissos e espero o mesmo da Ferrari. Eles estão falando em ir embora, espero que acate o que foi acordado.” Claramente desejou dizer que se a Ferrari não se increver irá processá-la. De uma fonte da Ferrari: “Quem não respeitou o contrato foram eles, com esse regulamento”.

Em termos de agitação, a sexta-feira, em Mônaco, lembrou a do GP de 1994. Na etapa anterior, San Marino, Rubens Barrichello sofreu grave acidente no circuito de Ímola, Roland Ratzemberger morreu no sábado e Ayrton Senna, domingo. No primeiro dia de treinos em Mônaco, Karl Wendlinger, da Sauber, bateu na saída do túnel e entrou em coma. Max Mosley convocou a imprensa na sexta-feira e introduziu várias modificações nos carros para vigorar já na prova seguinte, na Espanha.

Dois pilotos, em particular, demonstraram ansiedade juvenil com os treinos de amanhã, no circuito de Mônaco: Lewis Hamilton, da McLaren, atual campeão do mundo, e Fernando Alonso, Renault, campeão em 2005 e 2006. “Quando chegar na Turquia (próxima etapa) sei que no máximo posso pensar em ser sexto, sétimo ou oitavo”, disse o espanhol. “Num traçado onde a importância do piloto cresce e a do carro diminui, é minha chance”, definiu Hamilton.

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