Badoer, recordista de velocidade. Mas nos boxes.

liviooricchio

21 de agosto de 2009 | 16h48

21/VIII/09
GP da Europa
Livio Oricchio, de Valência, Espanha

Normalmente, um ano fora da Fórmula 1 já costuma afastar de vez um piloto da competição. Dez anos, é fim de carreira na certa. Mas ontem a Ferrari, o time de maior sucesso na história da Fórmula 1, teve como substituto de Felipe Massa nos primeiros treinos livres do GP da Europa, em Valência, um piloto que há nada menos de dez anos não disputava um GP: inédito.

Luca Badoer, de 38 anos, registrou na melhor das suas 62 voltas 1min42s017, superior apenas ao espanhol de 19 anos Jaime Alguersuari, da Toro Rosso, 1min42s089. “Não piloto há oito meses, não conheço o carro, tampouco a pista e a minha diferença para Kimi Raikkonen não representa o fim do mundo”, defendeu-se Badoer. O outro piloto da Ferrari obteve o 11.º tempo, 1min40s739, ou 1 segundo e 278 milésimos mais veloz de Badoer.

Mas o “novo” piloto da Ferrari não passou em branco tanto tempo ausente das pistas. Quebrou o recorde de vezes que desrespeitou o limite de 60 km/h nos boxes do circuito de rua de Valência: quatro, o que lhe rendeu um advertência e o total de multas de Euros 5.400. “Eu apertava o botão do limitador de velocidade muito perto da faixa na entrada do box e o carro não reduzia como pensava”, explicou. Essas experiências são pouco comuns até em equipes de pouca expressão na Fórmula 1. Na Ferrari, ganham dimensão cômica.

“Foi difícil como eu pensava”, afirmou o italiano, sempre muito sereno. “Usei o dia para conhecer o modelo F60 e o traçado. Amanhã posso me dedicar a ajustar o carro para o meu estilo”, falou. Em relação a Fernando Alonso, da Renault, o mais rápido do dia, com 1min39s404, ou 2 segundos e 613 milésimos melhor, Badoer comentou: “O primeiro segundo não vejo em dificuldade em tirar. O problema é o segundo seguinte”.

Michael Schumacher esteve o tempo todo ao seu lado. São muito amigos. “Ele me ajudou no que foi possível. Estudou os dados de computador, sugeriu coisas”, disse Badoer. “O que pedi à equipe foi para providenciar mais entradas de ar no cockpit. Não é possível suportar a temperatura no interior.” O calor em Valência passa dos 30 graus e não há nuvens. O sol incide o tempo todo nos pilotos.

O francês Romain Grosjean, estreante na Fórmula 1, substituiu Nelsinho Piquet na Renault. Ficou com o 13.º tempo, 1min40s787. “Procurei aprender com Alonso como proceder e foi bem útil”. Ele completou 23 voltas na sessão da manhã e 35 à tarde. “Penso que posso crescer bastante amanhã”, afirmou.

No treino que definirá o grid, hoje, a Brawn GP será bem mais competitiva que nas últimas classificações. A opinião é de Rubens Barrichello, terceiro mais veloz, ontem. Seu companheiro, Jenson Button, líder do Mundial, foi segundo. “Ao voltarmos à configuração um pouco mais antiga do carro voltamos a ser mais eficientes”, explicou Rubinho.

“Os pneus estão trabalhando melhor.” Comentou sentir-se feliz por as pessoas acreditarem que a Brawn GP está com o carro mais leve. “Estamos é bem pesados.” Quem parece poder enfrentar de novo a Brawn GP e Red Bull, os melhores times das últimas etapas, é a McLaren do campeão do mundo, Lewis Hamilton, que ontem não treinou à tarde por quebra do motor. “Mas nosso ritmo é muito bom”, afirmou o inglês. Ele venceu a etapa de Budapeste, dia 26.

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