Bahrein, Valência e Barcelona na lista para deixar a F-1 em 2012

liviooricchio

22 de fevereiro de 2011 | 04h18

21/II/11

Livio Oricchio, de Barcelona

  Já domingo, no Circuito da Catalunha, integrantes das equipes esperavam apenas a oficialização do cancelamento dos treinos coletivos, de 3 a 6, e do GP de Bahrein, programado para dia 13, diante da gravidade da situação política no país. Ontem o príncipe Salman Al-Khalifa, de Bahrein, confirmou que a abertura do campeonato não mais será no seu país. A temporada passa a ter, agora, 19 etapas, e o GP da Austrália, dia 27 de março, abre o Mundial.

  “Esperamos voltar em breve ao Bahrein”, afirmou Bernie Ecclestone, no seu comunicado. Mas pode não ser assim. O promotor da Fórmula 1 precisa retirar uma prova do calendário para a entrada do GP dos Estados Unidos, em 2012. E se antes, como o próprio Ecclestone adiantou, uma das duas corridas da Espanha, Valência ou Barcelona, poderia ser a escolhida, agora a etapa barenita também entrou na lista.

  No fim de semana, no Circuito da Catalunha, o presidente da Generalidade, como definem o governador, já adiantou que os termos do contrato assinado, no ano passado, entre a Catalunha e a FOM, quando não estava no poder, não serão aceitos. “F-1 sim, mas não a qualquer preço”, afirmou. Os valores, deu a entender, foram duplicados, o que elevaria de US$ 15 para US$ 30 milhões por edição da prova, quantia estimada que a Generalidade Valenciana paga à FOM.

  Para as equipes, uma etapa a menos significa uma oportunidade a menos de exposição de seus investidores. As corridas são assistidas por milhões de telespectadores, em todos os continentes. “Mas essas situações são previstas em contrato”, explicou um profissional de um time grande da Fórmula 1, no Circuito da Catalunha, onde ontem terminou a terceira série de treinos coletivos.

   E é exatamente a razão política que faz com que o organizador do GP de Bahrein não tenha de pagar a taxa do promotor, o quanto a Formula One Managent (FOM), de Ecclestone, cobra por edição da prova. Estima-se que no caso de Bahrein, por se tratar de um investimento estatal e entrar no calendário apenas em 2004, um dos últimos, seja de US$ 35 milhões (cerca de R$ 60 milhões). É um dos raros casos de isenção de pagamento. Parte desse dinheiro é revertido para as próprias escuderias.

  “Nós precisamos realizar um teste numa região quente”, disse Adrian Newey, diretor-técnico da Red Bull, sábado, durante os testes, em Barcelona. Pois esse ensaio não vai acontecer. Gary Anderson, ex-projetista da Jordan, Stewart e Jaguar, hoje comentarista, explicou domingo: “A temperatura de asfalto mais elevada que tivemos na pré-temporada foi em Jerez, 26 graus. Mas as temperaturas normais ao longo do ano ultrapassarão os 40 e até 50 graus. O carro se comporta de maneira bem distinta.”

  Como o ensaio coletivo em Bahrein teria esse objetivo, foi cancelado e a Fórmula 1 realizará, agora, um teste de 8 a 11 de março em Barcelona, é provável que pilotos e equipes venham a conhecer o comportamento de seus carros, nas condições que enfrentarão ao longo do ano, apenas no Circuito Albert Park, em Melbourne, já no fim de semana da primeira corrida. “Podemos ter, sim, algumas surpresas”, comentou Rubens Barrichello, da Williams, o mais experiente piloto da competição.

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