Boa sorte, Cleyton Pinteiro, novo presidente da CBA

liviooricchio

17 de janeiro de 2009 | 18h22

17/I/09
Livio Oricchio, de Paris

Cleyton Pinteiro assumirá a presidência da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) dia 16 de março, em substituição a Paulo Scaglione, que diante de iminente derrota clamorosa na eleição para continuar no cargo retirou a candidatura.

Não conheço pessoalmente o senhor Cleyton, mas espero que ele de fato esteja consciente da necessidade de a CBA ter um presidente de verdade interessado no crescimento, na evolução do automobilismo.

O que isso quer dizer? Estudar mecanismos com profissionais da área a fim de fortalecer o kart, quase destruído na administração anterior, reunir-se com gente da indústria automobilística, marketing, publicidade, promotores de competições, enfim, pensar e repensar em como criar uma categoria de monopostos no Brasil.

Os meninos que deixam o kart têm de dispor de um competição que os permita dar sequência ao aprendizado do kart. Perigosamente nós não mais a temos depois do fim da Fórmula Renault. Acredito que se for criado um planejamento realista, bem concebido, e envolver profissionais capazes e repeitados na sua execução, é possível até mesmo este ano a nação voltar a ter uma categoria do gênero.

Mas há muito mais o que fazer além da categoria-escola, como ouvir com muita atenção os responsáveis pela Fórmula 3, dentre tantos outros eventos, e procurar dentro do que a CBA tem alcance – é mais extenso do que todos os seus presidentes até agora imaginavam – procurar viabilizar seus planos. A maioria trabalha para o bem do automobilismo.

Cleyton tem de aproveitar que há hoje nesse esporte no Brasil homens realmente interessados em fazer essas categorias funcionarem. Há uma boa safra de promotores.

É preciso, em primeiro lugar, acreditar nas próprias forças, no que representa a CBA, que nada tem a ver com as ambições individuais da maioria de seus ex-presidentes. Para não dizer dos malditos vícios de sua administração, envolvida até a alma com esse câncer das corridas de carro no Brasil que são os clubes, ao menos como são geridos há muito.

Quem sabe nossos legisladores acordem, também, para passar um rapa nesse bando de aproveitadores e mudar a forma de se conceber as competições.

É necessário que o senhor Cleyton tenha vontade, gana de fazer a coisa funcionar. O que, de novo, não era o caso na gestão passada. É preciso ser idealista para presidir a CBA. Pensar grande. Doar-se. Jamais esmorecer. Ter paixão pela velocidade. As aspirações pessoais devem restringir-se à vida privada.

Não há segredo. Seguindo essa receita, que todos já sabem há tempos, não há como o automobilismo não avançar. Pode não ser da forma como todos nós que amamos esse negócio desejaríamos. Mas o fundamental é sentir que estamos andando para a frente. E não para trás, como acontecia com Scaglione.

Mais uma coisinha. A palavra anda desgastada, mas que todas as atividades, receitas e investimentos do novo presidente da CBA sejam absolutamente transparentes. Cleyton tem como missão dar um choque de credibilidade na CBA. Que respeito gera hoje a entidade? No meio e fora dela?

Ainda que distante, tenha a certeza que dentro do possível parte da imprensa, agora, seguirá mais de perto os acontecimentos da entidade, mesmo que os jornalistas estejam na Europa, América do Norte, Ásia ou Oceania. Precisamos seguir mais de perto os passos do presidente da CBA. Temos responsabilidade no abandono, no descaso que está aí por esse esporte. Infelizmente será ainda assim até 15 de março.

O que esperamos é que Cleyton inaugure uma nova era na CBA. E nós profissionais da imprensa o início de uma aproximação maior com as coisas da entidade. Não podemos permitir que pseudo interessados no automobilismo causem o mesmo mal que terá, de alguma maneira, agora, de ser reparado.

Boa sorte, Cleyton, que o senhor encontre seus caminhos. E nós, os nossos!

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