Boas chances para Hamilton encostar ainda mais em Alonso

liviooricchio

22 de setembro de 2012 | 13h34

22/IX/12

Livio Oricchio, de Nice

Amigos, produzi o texto a seguir a partir do que vi na Eurosport, que transmite todos os treinos, li nos comunicados oficiais das equipes, no site da revista inglesa Autosport e ouvi de meus amigos presentes no circuito Marina Bay, com quem tenho conversado esses dias.

A corrida é uma das mais longas do campeonato, quase duas horas, e desde a estreia no calendário da Fórmula 1, em 2008, sempre apresentou surpresas ao longo das suas 61 desgastantes voltas, sob calor intenso e a eterna possibilidade de chuva. Mas se há dois pilotos que demonstraram estar em melhor condição para lutar pela vitória no GP de Cingapura, hoje, 14.º do Mundial, depois do que apresentaram na classificação, ontem, e nos treinos livres de sexta-feira, são o pole position, Lewis Hamilton, da McLaren, e o terceiro colocado no grid, Sebastian Vettel, da Red Bull.

E como o líder do campeonato, Fernando Alonso, da Ferrari, vai largar apenas em quinto, as chances de a disputa pelo título nas seis etapas que vão restar tornar-se ainda mais disputada cresceram bastante. Na realidade, os resultados inesperados na única corrida noturna da Fórmula 1 já começaram. Ontem, o venezuelano Pastor Maldonado, da Williams, cada vez mais caracterizado por ser um piloto do tipo tudo ou nada, conseguiu uma volta tão espetacular no fim da classificação que o permitirá hoje largar na primeira fila, ao lado de Hamilton, com o segundo tempo. Deixou para trás ninguém menos de Vettel, o mais rápido sexta-feira e ontem na sessão da manhã.

Pena o seu histórico no campeonato: desde a brilhante vitória em Barcelona, quinta prova do ano, Maldonado incrivelmente não marcou um único ponto. Daí o descrédito em relação ao que pode fazer hoje numa das corridas mais exigentes da temporada. “Cada etapa tem a sua história”, lembrou ao Estado, em Monza, procurando desmistificar o rótulo de piloto inconsistente. É, no entanto, o que os números evidenciam.

Foi a 24.ª pole de Hamilton desde a estreia na Fórmula 1, em 2007, sempre pela McLaren, a quinta no campeonato e a terceira nas últimas quadro definições do grid, para se ter melhor ideia da extraordinária recuperação desse talentoso piloto inglês, de 27 anos, e de sua equipe.

“Depois do que vi ontem (sexta-feira) e hoje de manhã, achei que seria difícil lutar pela pole”, disse Hamilton. Vettel esteve muito veloz. O que chama a atenção é a diferença imposta pelo piloto da McLaren a todos os demais: 442 milésimos para Maldonado e 543 para Vettel, ou cerca de meio segundo, enorme para os padrões da competição, em especial este ano. Para não se mencionar os 854 milésimos para Alonso.

Hamilton lembrou o que aprendeu nas quatro vezes que correu no circuito Marina Bay, de 5.073 metros. “Ser o mais rápido na classificação aqui te garante menos que em outras pistas que a corrida não será desafiadora.” Ele venceu a edição de 2009. Ao menor erro a consequência é tocar o muro diante da falta de áreas de escape. Hamilton raspou o concreto na sua volta mais veloz, ontem, porém sem consequências para a McLaren. Ele soma 142 pontos, vice-líder, e a cada etapa se aproxima de Alonso, com 179. Antes do GP da Hungria a diferença entre ambos era de 62 pontos. Hoje, 37, e com possibilidade de diminuir ainda mais em Cingapura.

A expressão de Vettel depois de a Red Bull lhe informar, pelo rádio, que registrara apenas o terceiro tempo dizia tudo sobre seu estado de espírito: profundo desapontamento. “É duro. Não sei por qual razão não conseguimos fazer um tempo melhor, tínhamos potencial para isso”, disse. Mas lembrou: “É uma prova cheio de imprevistos, extensa, dá para pensar ainda em vitória”. O atual bicampeão do mundo não vence desde o GP de Bahrein, quarto do ano. Com 140 pontos no Mundial, quarto colocado, precisa somar bons pontos hoje para lutar pelo título nas seis corridas finais.

Um dos fatores que irá, com certeza, interferir diretamento no andamento do GP de Cingapura é o pneu. A Pirelli levou os do tipo supermacio e macio, os mais moles de sua gama. “Será a chave da prova”, prevê Hamilton. “Mas nosso carro demonstrou boa autonomia com os dois tipos”, lembrou Jenson Button, companheiro de Hamilton, quarto no grid. A McLaren venceu as três últimas etapas, Hungria e Itália com Hamilton e Bélgica, Button. Tem, hoje, um carro bastante equilibrado, o que ajuda a desgastar menos os pneus.

O terceiro na classificação do Mundial, Kimi Raikkonen, da Lotus, com 141 pontos, teve um mau dia ontem, 12.º colocado, apenas. “Se não melhorarmos o carro será difícil pensar em prosseguir com chances de ser campeão”, afirmou. Romain Grosjean, de volta após ser suspenso em razão de provocar o acidente na largada em Spa, andou bem, oitavo. Com tão pouco espaço no traçado asiático, a direção de prova vai estar atenta ao seu comportamento.

Esperava-se mais de Mark Webber, autor de bela primeira metade de temporada. Ontem ficou em sétimo. De manhã, como vários pilotos, bateu com a roda traseira direita no muro. “Não sei o que houve. No Q3 o carro começou a sair de traseira”, contou o australiano, quinto no campeonato, com 132 pontos. Enquanto Button, dependendo da condição da prova, poderá facilitar o trabalho de Hamilton, Webber e Vettel lutam pelo título. O campeão do mundo de 2009 está longe, sexto com 101 pontos.

A Mercedes utilizou ontem, pela primeira vez num treino classificatório, onde se pode compreender melhor sua evolução em termos de velocidade, o modelo W03 com as novidades aerodinâmicas testadas no treino para jovens pilotos em Magny-Cours. “Representa um avanço importante”, disse Michael Schumacher, nono. Nico Robserg, companheiro, sai em décimo. Os dois não deixaram os boxes no Q3 para economizar pneus. Entre ganhar uma ou duas posições no grid e dispor de pneus novos para a corrida preferiram a segunda opção.

Alonso era um piloto resignado, ontem, com o quinto lugar no grid. “Devemos estar até contentes em função das nossas dificuldades nessa pista desde o primeiro treino livre”, comentou. “Penso ser realista terminar ainda no pódio. Pode acontecer tanta coisa nessa corrida, há até a ameaça de tempestade.” Como o modelo F2012 da Ferrari não acompanhou o ritmo da McLaren e da Red Bull no circuito Marina Bay, a chuva é a aposta de Alonso para eventualmente vencê-los.

Felipe Massa, da Ferrari, e Bruno Senna, Williams, prosseguiram com suas dificuldades em Cingapura, bem mais que os companheiros de equipe. Massa não foi além do 13.º tempo e Bruno, o 17.º, depois de bater no muro novamente ontem, como já fizera sexta-feira. Como a Williams terá de substituir o câmbio, Bruno perderá mais cinco posições e largará em 22.º. O desempenho fraco dos dois – Alonso e Maldona dispunham do mesmo equipamento – veio em má hora, pois o mercado de pilotos está em fase de definição e ambos não têm ainda contrato para 2013.

“Meu pneu supermacio não dura uma volta, chega no último setor e a aderência do carro já não é a mesma”, explicou Massa. Já Bruno vinha numa volta muito boa, na segunda parte da classificação, exigiu um pouco mais da Williams, perdeu o controle e bateu, danificando a suspensão. “Uma pena, estamos rápidos aqui. Mas a estratégia contará muito nessa prova e dá para pensar ainda em marcar pontos, mesmo sabendo que ultrapassar nessa pista é difícil.”

O GP de Cingapura começa às 9 horas, no horário de Brasília, e terá transmissão ao vivo pela TV Globo.

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