Bonito mais que justifica o nome e a fama

liviooricchio

29 de outubro de 2007 | 18h17

Olá amigos:

Cá estou, de novo. Obrigado pelas mensagens de “bom descanso”.
Acabei de ler todos os comentários do último post. Antes de falarmos de automobilismo – deixemos para amanhã – desejo lhes dizer algo: se você ama a natureza, necessita desse contato com o que mais tem a ver com a essência da vida, como eu, vá a Bonito, Mato Grosso do Sul.

Os encantos de suas atrações são únicos. Realizar flutuação nos rios da Prata, Sucuri ou na Baía Bonita lhe oferece a sensação de estar dentro de um aquário perfeito, com várias espécies de peixes, como Piraputanga, Curimbatá, Pacú e Dourado, dentre outros, e vegetação selecionada por paisagista renomado. A transparência das águas lhe leva a pensar como é possível não existir a interferência do homem, adicionando na nascente filtros desenvolvidos na era espacial. Nada disso: a base de calcário das rochas funciona como filtro natural para as águas.

É difícil conter a vontade de dividir com alguém aquele esplendor todo, afinal você está com o snorkel na boca. É tão impulsivo o desejo de manifestar a emoção que você acaba falando com o respirador na boca e tudo. Mesmo em outro idioma, como era o meu caso, fiz-me entender. Quer saber? Até o pessoal da Fórmula 1 com quem estava se deixou contaminar pelo ambiente de elevação do local.

Bonito oferece mais da flutuação em rios cristalinos. Há grutas, rapel, banhos em cachoeiras, arborismo, passeios de bote e a cavalo, tudo dotado de boa infra-estrutura. Mas prepare-se: não é um turismo econômico. Nada de irrealmente caro, porém acima da média de outros endereços do turismo. Altamente compensador, acredite. Fomos na baixa temporada. Não sei se na alta, depois de 15 de dezembro, são capazes de manter o eficiente padrão.

Tão importante quanto a natureza bela e rica me pareceu a consciência ecológica de quem administra Bonito. Só se pode realizar os passeio com guia através de voucher adquirido nas agências. E o número de visitantes em cada sítio é controlado. Os próprios guias demonstram bom preparo técnico para explicar o porquê de se cumprir as regras ditadas. Um exemplo: é proibido pisar no fundo dos rios.

Ano que vem irão inaugurar o aeroporto da cidade. Se mantiverem os mesmos cuidados de hoje, não há grandes riscos de se deformar essa fenomenal manifestação da natureza. Mas se liberarem as visitas às atrações, quase todas em áreas privadas, fazendas, sem exigir a presença dos guias e a permanência de grupos fechados, será a perdição de Bonito.

Atualmente, pousa-se em Campo Grande e é preciso 3 horas e meia para percorrer os 300 quilômetros até a cidade de 18 mil habitantes, em boa estrada, exceto no pequeno trecho em que a responsabilidade é federal. Lógico!

O único portador de passaporte brasileiro no grupo formado por engenheiros da Renault e de jornalistas do L’Equipe era eu. Claro que quase todas as noites comíamos em restaurantes especializados em peixe. Começamos com Pintado, no Taboa, fomos para a Piraputanga, no Cantinho do Peixe, depois a Traíra (acredite, servida sem espinha), na Casa do João e, em seguida, costelas de Pacú no Tapera.

As reações das pessoas com quem me encontrava me impressionaram. Não são do tipo de adjetivarem demais seja lá o que for. Olha, revelaram-se verdadeiros sentimentais em Bonito.

Conversamos sobre Fórmula 1? Sim, não haveria como deixar de lado nosso substrato de ação, em especial nos jantares, ao mesmo tempo em que apreciávamos os peixes de lamber os dedos.

Já que muitos dos comentários que li ainda há instantes abordavam a questão da pane na McLaren de Lewis Hamilton em Interlagos, leia o que os engenheiros com quem dividia o paraíso de Bonito afirmaram: “Foi um problema no software de gerenciamento do sistema de transmissão integrado”. Ninguém acredita que Hamilton acionou algum comando equivocadamente.

Se fosse o neutro, como li, o carro não andaria, como fez até retomar seu ritmo quase normal. Se Hamilton apertou o limitador de velocidade, veríamos a tampa do bocal do tanque aberta, o que não foi o caso. Foi um problema do equipamento e não do piloto.

Amanhã voltamos a falar mais de Fórmula 1, combinado?

Grande abraço, amigos!

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