Briatore defende intervenção imediata da FIA na F-1

liviooricchio

28 de março de 2009 | 00h29

28/III/09
GP da Austrália
Livio Oricchio, de Melbourne

A não ser que seus carros apresentem algum problema ou seus pilotos se envolvam em acidentes, a vitória na corrida de abertura do campeonato tem possibilidades elevadas de ficar com as duplas da Brawn, Toyota e Williams. Desde os treinos livres de sexta-feira, quando a maioria completou várias voltas seguidas, para simular a prova da próxima madrugada, os tempos registrados por seus pilotos mostraram-se bem melhores que os dos concorrentes.

Os modelos BGP 001 da Brawn, TF109 da Toyota e FW31 da Williams têm em comum concepção semelhante da porção final do assoalho do carro, chamada de difusor, localizada embaixo do aerofólio traseiro. É diferente da solução das sete demais equipes.

Em essência, o difusor da Brawn, Toyota e Williams permite que o escoamento do ar na parte posterior do carro seja mais veloz e, portanto, capaz de gerar maior pressão aerodinâmica. Na prática isso significa maior velocidade do carro no contorno das curvas, estabilidade nas frenagens e mais eficiência na tração.

“Espero que depois de os pilotos dessas equipes se mostrarem os mais rápidos já na sexta-feira a FIA compreenda que estamos falando de carros diferentes”, comentou Flavio Briatore, da Renault. “É só olhar os tempos deles e os dos demais para compreender que algo deve ser feito para que todos disputem a competição sob as mesmas regras”, argumentou o italiano.

“A FIA tem de intervir já, não precisa esperar o julgamento das apelações (dia 14, antes da etapa de Xangai)”, falou Briatore. “Trabalhamos sob um norma para projetar o difusor e nossos concorrentes seguiram outra regra”, explica Briatore. Os comissários desportivos do GP da Austrália os julgaram legais e a FIA, ao também considerá-los regulares, utilizou o argumento de que os engenheiros da Brawn, Toyota e Williams “apenas interpretaram o regulamento a seu modo”.

“Mas onde fica o definido pelo Technical Working Group (TWG), que para facilitar as ultrapassagens concluiu que seria necessário reduzir a pressão aerodinâmica do carro em 50%?” questiona Luca Colajanni, da Ferrari.

O TWG reúne técnicos das equipes com o objetivo de elaborar regras que sigam as diretrizes provenientes da FIA. “O princípio que regeu a concepção da regra foi esse enquanto os projetos da Brawn, Toyota e Williams o contrariam. Por essa razão protestamos contra esses times.”

Técnicos como Pat Symonds, da Renault, não entendem como essas escuderia realizaram o controvertido difusor: “Os times que o desenharam tinham representantes no Technical Working Group para estudarmos maneiras de facilitar as ultrapassagens”. O engenheiro dá a entender de sentir-se traído com a solução desenvolvida por essas equipes. “Eles contrariaram o espírito que gerou a regra e sobre o qual trabalhamos juntos.”

Briatore confirmou que a Renault, como as demais, já desenvolvem em túnel de vento um difusor de características semelhantes às da Brawn, Toyota e Williams. “As primeiras indicações nos dizem uma vantagem de 14%. Com o seu desenvolvimento, acredito que chegaremos a um índice de eficiência de 30% em relação à configuração atual.” A partir da etapa de Barcelona, quinta do calendário, dia 10 de maio, todas as equipes vão ter assoalho projetado sob o mesmo princípio, adverte Briatore.