Briatore parte para o ataque e sugere que Nelsinho é homossexual

liviooricchio

11 de setembro de 2009 | 20h38

11/IX/09
GP da Itália
Livio Oricchio, de Monza

Os dois primeiros treinos livres do GP da Itália demonstraram ontem que, a exemplo da prova na Bélgica, há duas semanas, a definição do grid, hoje, e principalmente a corrida, amanhã, podem apresentar resultado surpreendente. McLaren e Force India dominaram as duas sessões. Mas, a exemplo de quinta-feira, a atividade esportiva ficou em segundo plano. A agora “guerra” entre a família Piquet, Flavio Briatore e a Renault teve novos episódios ontem.

O caso já virou processo criminal e o nível das acusações baixou ainda mais. O diretor do time francês deu a entender que Nelsinho é homossexual: “Ele vivia com um senhor dos seus 50 anos, num apartamento em Oxford. Não se sabe que tipo de relação possuíam. Seu pai (Nelson Piquet) estava bastante preocupado com essa relação, viviam juntos, e Nelson me pediu para intervir.” Briatore disse que lembrou o fato por estar sendo acusado por Nelsinho de ter interferido até nas suas relações com pessoas mais próximas. “Aluguei para ele um apartamento que tenho no mesmo prédio que moro em Londres”, explicou.

Sylvia, mãe de Nelsinho, afirmou, ontem, por telefone à imprensa holandesa, ter ficada horrorizada com a insinuação. “Esse senhor é um amigo da família, ajuda o Nelsinho desde o início da carreira.” A intenção de Briatore, com o comentário, segundo disse, é atingir na realidade o pai do piloto. Nelson regularmente fazia brincadeiras com a masculinidade de alguns personagens, dentre eles Ayrton Senna, o que lhe valeu até mesmo uma citação judicial no Brasil, em 1987.

Na conversa com a imprensa internacional, Briatore contextualizou o ocorrido. “Tive informações de que Nelson, o pai, planejava entregar o relatório escrito por Nelsinho à FIA antes de fazê-lo. Pessoalmente redigi uma carta, dia 28 de julho, e expliquei que se fizesse isso iria responder legalmente pela iniciativa.” Dois dias depois, Nelsinho levou o documento a Max Mosley, presidente da entidade. “O que eles fizeram é gravíssimo e agora vão arcar com as consequências.”

Durante a investigação, nunca como desta vez tantos documentos foram disponibilizados à impresa. “A nossa associação (Fota) não gostou nada disso. São informações que se destinam apenas à investigação enquanto não tiver uma resolução do caso. A Renault cumpriu.”

Assim como quinta-feira as acusações de Nelsinho percorreram o mundo esportivo sem defesa dos franceses, ontem Briatore não poupou ataques. E até abriu um ponto da defesa da Renault no julgamento do dia 21 em Paris. Seu ex-piloto lembra no relatório do ocorrido em Cingapura que a cada volta pedia, pelo rádio, para ser informado a respeito da volta em que estava, a fim de provocar o acidente programado. Briatore respondeu: “Mentira. Ele nos solicitou apenas na oitava volta da corrida qual era volta em que estávamos.”

Briatore falou mais: “Nelsinho é um menino mimado. Sempre correu pelos times criados pelo pai, dispôs dos melhores equipamentos, foi parar numa competição verdadeira (Fórmula 1) e, claro, perdeu a cabeça.” Nelsinho reclamava de tudo, dizia que era o melhor de todos, comentou o italiano. “É um rapaz cheio de problemas. Nunca apresentou bom desempenho. Errei ao acreditar que era um piloto especial e ao renovar seu contrato este ano.”

Nelsinho explicou no relatório à FIA que Briatore e seu diretor de engenharia, Pat Symonds, o chamaram a fim de se acidentar e gerar a entrada do safety car na pista. Seu companheiro, Fernando Alonso, faria um pit stop pouco antes e, assim, teria grande vantagem. Nelsinho bateu na 14.ª volta, o safety car entrou na prova e Alonso acabou vencendo.

Ontem a imprensa mundial deu grande destaque à versão de Nelsinho. “É um desrespeito a uma empresa como a Renault todas essas acusações sem que haja uma defesa. Nós respeitamos o que a FIA nos pediu, que ficássemos calados até a reunião do Conselho Mundial (dia 21, em Paris).” Segundo Briatore, os Piquets, pai e filho, vão se entender, agora, com a justiça francesa. Briatore reuniu-se, quinta-feira, com o presidente da empresa, o brasileiro Carlos Ghosn, e decidiram processar os dois Piquets por chantagem, difamação e calúnia. “Vamos até o fim porque temos provas.”

E boas provas é o que Nelsinho não tem para comprovar sua história de provocar deliberadamente o acidente a pedido de Briatore e Symonds. Ontem o presidente da FIA, Max Mosley, lembrou que até que provem em contrário, a Renault é inocente. “Eles deveriam entregar os argumentos técnicos de defesa até segunda-feira, mas pediram mais tempo.”

Ontem, também, diante da exposição da entrevista de Briatore na mídia eletrônica, Nelsinho emitiu novo comunicado: “Tenho consciência do poder dos que estão sob investigação e os imensos recursos a sua disposição, mas não me intimidarei e tomar uma decisão que, depois, venha a me lamentar.” Disse estar dizendo a verdade e “não ter nada a temer”.

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