Bruno: "Meu trabalho é na pista e não para satisfazer os outros"

liviooricchio

22 de setembro de 2011 | 05h36

22/IX/11

Livio Oricchio, de Cingapura

  Se depender apenas de vontade, Bruno Senna vai reverter a expectativa a princípio desfavorável da Renault no GP de Cingapura. Ontem, no circuito Marina Bay, um dos mais lindos do Mundial, Bruno foi um dos raros pilotos que trabalharam visando às desafiadoras 61 voltas da única corrida noturna da Fórmula 1. A prova, 14.ª do calendário, pode dar ao jovem competente Sebastian Vettel, da Red Bull, o bicampeonato.

  As pistas de Mônaco e da Hungria guardam semelhanças com os 5.073 metros do traçado de Cingapura, com suas curvas lentas em sequência. E tanto Vitaly Petrov quanto seu companheiro de Renault, na época, Nick Heidfeld, não chegaram sequer a disputar a parte final nos dois treinos classificatórios, o chamado Q3. Nas duas corridas, o máximo que conseguiram foi a oitava colocação de Heidfeld em Mônaco. “Mas a equipe não parou de investir no desenvolvimento e trouxemos para cá importantes mudanças”, disse, ontem, Bruno, animado.

  Seu entusiasmo depois de duas boas apresentações para quem estava sem disputar uma prova há quase um ano é evidente. “Eu me reuni com os engenheiros para cruzar os dados que obtivemos este ano com os de 2010 para ver o que podemos fazer para melhorar o carro em pista de rua”, explicou o piloto. “Será um fim de semana difícil para mim, a primeira vez com o carro da Renault num circuito desse tipo. A cada volta vou ter de aprender tudo bem rápido.”

    A iniciativa de tentar encontrar formas de tornar o carro da Renault mais eficiente revela o interesse de Bruno de permanecer na Formula 1. “Há apenas 40 dias minha perspectiva era muito ruim. Já estava planejando viajar para os Estados Unidos a fim de conhecer a Nascar, talvez correr com o Nelsinho por lá”, contou Bruno. “De repente, as coisas foram virando. É muito difícil ter uma oportunidade como a que estou tenho no meio da temporada. O importante é fazer os resultados para poder continuar aqui em 2012.”

    Bruno sabe que precisa corresponder ao que a direção da Renault deseja. “Vamos tentar de todas as formas superar a Mercedes, meta do time. Se conseguirmos será fantástico.” A Mercedes é a quarta colocada entre os construtores, com 108 pontos, diante de 70 da Renault, quinta. Depois do GP de Cingapura restarão cinco etapas para o encerramento do campeonato. A cada prova há um máximo de 43 pontos em jogo, 25 da vitória e 18 da segunda colocação.

  Se na Bélgica e na Itália Bruno pôde arriscar um pouco para conhecer os limites dos pneus Pirelli, novidade para ele, em Cingapura, lembrou, a realidade é outra. “O muro está bem perto. E tudo o que preciso é me manter na pista. A cada volta aprendo um pouco.” Bruno largou em sétimo em Spa-Francorchamps e em décimo em Monza, quando marcou seus primeiros pontos, com o nono lugar. “Encontrar o limite dos pneus na classificação nesta pista será mais difícil para mim. Aliás, esse é o maior desafio para quem entra no meio da temporada.”

  Diante dos resultados de Felipe Massa, da Ferrari, e Rubens Barrichello, Williams, estarem aquém do esperado pela torcida, o crescimento de Bruno na Fórmula 1 deu ânimo novo a muitos brasileiros que se interessam pela competição. Hoje Bruno concentra elevado interesse do torcedor. Existe o que não havia: perspectiva. “Prefiro esperar os resultados antes de falar qualquer coisa a esse respeito”, afirma.

  “Corro porque gosto de correr. Não corro pensando no que os outros vão pensar de mim. Se isso for suficiente para dar alegria ao pessoal, vai ser muito gratificante para mim.” Reconhece a importância do carinho recebido, mas destaca: “Não posso ficar pensando nisso (a expectativa da torcida). Meu trabalho é na pista e não para satisfazer os outros”. O primeiro treino livre do GP de Cingapura começa amanhã, às 7 horas, horário de Brasília.

 

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