Bruno, muito além do que se poderia esperar

liviooricchio

27 de agosto de 2011 | 13h48

27/VIII/11

Livio Oricchio, de Spa

  O abraço longo, sentido, de Eric Boullier, diretor da equipe Renault, e Gerard Lopez, sócio, em Bruno Senna, ontem depois de seu surpreendente e notável trabalho, na classificação, foi revelador da sua gratidão ao piloto brasileiro. Ambos precisavam de um resultado desses, Bruno em sétimo, na frente do companheiro, Vitaly Petrov, décimo, para atenuar as críticas à decisão de dispensar o alemão Nick Heidfeld, a quem Bruno substituiu. Pode até ajudá-los judicialmente, pois Heidfeld processou a escuderia, requerendo o lugar de volta. Na realidade, visa a sair da Renault com mais dinheiro.

  O sobrinho de Senna estava entusiasmado. Sabe que foi muito além do que se poderia esperar de um piloto que não disputa uma classificação desde o GP de Abu Dabi do ano passado, com um carro desconhecido e sob condições realmente difíceis, numa pista rápida e desafiadora, como Spa. “Chamei o time, pelo rádio, e comuniquei que gostaria de arriscar colocar os pneus para asfalto seco, por haver uma trilha.” Decisão de alto risco e que exige muita autoconfiança, em especial num traçado como o belga.

  “Em dois momentos levei grandes sustos, nas curvas velozes, mas controlei bem o carro. No fim, deu tudo certo, estou muito, mas muito feliz com o que conquistamos”, disse Bruno. Desabafou: “Também estou de boca aberta”.

  Mas fez questão de pedir calma com relação à corrida, hoje. Sua análise é realista: “Eu não treinei largada com pista seca, ainda, não conheço o carro da Renault sem chuva em Spa, assim como os pneus Pirelli em séries longas de voltas, terei de descobrir tudo em plena corrida. Será muito difícil, não dá para esperar milagre”. O apoio da equipe ao seu trabalho tem importância grande na confiança demonstrada por Bruno com o sétimo tempo, ontem. “Se conquistar alguns pontos amanhã já estarei feliz diante de tudo ser novo para mim no carro da Renault.”

  Por enquanto, o contrato prevê sua presença na escuderia francesa apenas em Spa e na etapa seguinte, Itália, dia 11, mas outro desempenho convincente hoje, como ontem, pode mantê-lo até o final da temporada, apesar da concorrência do francês Romain Grosjean, campeão da GP2, ontem, como o terceiro lugar na prova de Spa.

  Ainda que seja outra realidade, outro tempo, Ayrton Senna, tio de Bruno, era um especialista em Spa. Ganhou cinco vezes: em 1985, com Lotus, e de 1988 a 1991, McLaren, quatro oportunidades seguidas. A imagem de Bruno controlando o carro da Renault no asfalto molhado de Spa, ontem, lançou muita gente de volta a um passado que marcou a história do esporte no Brasil. O próprio piloto da Renault, no entanto, manifesta não apreciar as comparações com o tio. “Para mim ele foi o melhor piloto que já existiu. Mas se chamava Ayrton Senna e eu, Bruno Senna. Outra pessoa, outro tudo”, comentou, no ano passado, ainda.

  A exemplo de Bruno, Felipe Massa realizou uma classificação como raras, desde 2008, ao obter o quarto lugar no grid. “É para comemorar porque com a baixa temperatura e a chuva nossos pneus não aquecem como deveriam. Amanhã (hoje), com o asfalto seco, como prevê a meteorologia, poderemos ser ainda melhores.” A exemplo de vários pilotos, segundo acredita, sua Ferrari está acertada bem mais para as condições esperadas para hoje, pista seca, que as da classificação, ontem: “Pódio é algo concreto aqui na Bélgica para nós.” Seu último pódio foi no GP da Coreia do Sul, no ano passado, terceiro. Em Spa, Massa venceu em 2008 e chegou em segundo em 2007, com Ferrari.

  Apesar de ter sido visivelmente atrapalhado pelo finlandês Heikki Kovalainen, da Lotus, ontem na classificação, o que o impediu de melhorar a 14.ª colocação no grid, Rubens Barrichello, da Williams, não o criticou. “Ele também estava na sua volta lançada, embora com um carro bem mais lento.” Dentre os que torcem para chover hoje, ao longo das 44 voltas do GP da Bélgica, está Rubinho. Em 2002 e 2004, com Ferrari, terminou em segundo. “O carro da Williams está lento aqui em Spa. Quem sabe com chuva temos alguma chance de pontos.” Rubinho pediu calma com relação ao que esperar de Bruno. “Ele não vai ser campeão com um sábado em Spa.” Os dois têm bom relacionamento.

 

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