Bruno Senna tem chance de ser titular

liviooricchio

09 de fevereiro de 2011 | 16h38

09/II/11

Livio Oricchio, de Nice

  Era noite já na Europa, ontem, quando a equipe Lotus Renault distribuiu comunicado para informar mudança no seu programa de testes no segundo treino coletivo da Fórmula 1, de hoje a domingo no circuito de Jerez de la Frontera, na Espanha. Conforme o planejado inicialmente, o companheiro de Robert Kubica, em recuperação do acidente, domingo, numa prova de rali, o russo Vitaly Petrov, vai testar o novo e revolucionário modelo R31 hoje e amanhã, mas o time confirmou, também, que Bruno Senna treinará entre sábado e domingo, com programação a ser definida. A má notícia para ele é que Eric Boullier, diretor da Lotus Renault, decidiu testar ao mesmo tempo o experiente alemão Nick Heidfeld, “para eventualmente substituir Robert Kubica”.

   Bruno se apresenta para o teste de Jerez com uma missão ingrata: mostrar a Boullier o que não conseguiu na temporada passada inteira na Fórmula 1, como piloto da incipiente Hispania, por conta do anacronismo do projeto do carro e da falta de recursos da equipe. Tudo somado a sua pouca experiência. A Lotus Renault não decidiu como o carro será ocupado sábado e domingo, em Jerez. Mas sabe-se que Bruno e Heidfeld irão compartilhá-lo. Só é permitido testar com um carro na Fórmula 1.

  Para Bruno ter chance de vir a ser o escolhido para substituir Kubica, ele terá, primeiro, de mostrar ser possível. O comunicado da Lotus Renault, ontem, sugere que essa hipótese não está sendo considerada. Assim, para convencer Boullier e Gerard Lopes, sócio da escuderia, Bruno terá de ser veloz, preferencialmente mais de Heidfeld. Mais: não cometer erros relevantes. Ainda: demonstrar sensibilidade para acertar o carro e facilidade de se relacionar muito bem com os muitos recursos interativos do modelo R31. Ou seja, terá de passar a ideia de um piloto pronto para assumir a vaga de uma equipe com elevadas aspirações na competição.

  Em novembro de 2008, Bruno testou o monoposto da Honda em Barcelona, com bem menos experiência de hoje, e Ross Brawn, diretor técnico do time, avaliou seu trabalho e do outro piloto testado, Lucas Di Grassi, como “extremamente profissional”. A vaga depois ficou com Rubens Barrichello. Mas para correr já em 2011 pela Lotus Renault a oportunidade de Bruno é essa: usar o teste de Jerez como a grande vitrine da sua capacidade. Se conseguir, o Brasil poderá ter três brasileiros no grid, já a partir da abertura do campeonato, dia 13 de março em Bahrein. Caso contrário, vai torcer para, caso Heidfeld seja o escolhido, o alemão acabe por não corresponder e Boullier o chame para substituí-lo.

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