Buemi, surpresa da temporada, corre em casa

liviooricchio

24 de abril de 2009 | 03h50

24/IV/09
GP de Bahrein
Livio Oricchio, de Manama

A presença do príncipe Salman bin Hamad al Khalifa, do Bahrein, no paddock, saudando o jovem piloto suíço Sebastien Buemi, de apenas 20 anos, a grande surpresa do início de temporada, chamou a atenção de muita gente na Fórmula 1, ontem no circuito de Sakhir, sob calor intenso. Mas logo a conversa entre ambos deixou clara a razão da proximidade: Buemi reside no país. “É ótimo dormir na própria cama depois de sair do autódromo”, disse Buemi, da Toro Rosso.

Das 4 às 5h30 e depois das 8 às 9h30, no horário de Brasília, serão realizados, hoje, os dois primeiros treinos livres do GP de Bahrein, quarta etapa do calendário. E não há dúvida de que além do desempenho dos pilotos da Brawn GP e Red Bull, vencedores até aqui este ano, o desempenho de Buemi será acompanhado de perto também. Pelo ótimo início de campeonato e por ser visto com imenso carinho pelos barenitas, pois escolheu a pequena nação-ilha do golfo pérsico para viver.

“Gosto daqui, é ótimo para descansar entre uma corrida e outra”, afirma o piloto. Manama, a capital de Bahrein, está a seis horas de vôo de Genebra, onde Buemi nasceu e cresceu. Nas três provas que disputou até agora na Fórmula 1 o suíço marcou pontos em duas. Foi sétimo na estréia, em Melbourne, e oitavo em Xangai. Como na GP2, competição que antecede, em geral, a Fórmula 1, Buemi nunca encantou ninguém, a melhor das previsões a seu respeito no Mundial eram modestas.

Por isso lhe foi questionado: é mais fácil pilotar um carro de Fórmula 1 que um da GP2? “As pessoas pensam que na GP2 por todos usarem o mesmo equipamento o melhor piloto vence. Não é assim, lá também há carros muito bem acertados e outros não, como o que pilotei”, explicou. Buemi correu pela equipe Arden, no ano passado, e terminou o campeonato em sexto. “Já agora na Fórmula 1 o carro da Toro Rosso, com esse motorzão Ferrari, é mais fácil de ser pilotado por causa de seu equilíbrio.”

Combatividade, velocidade, constância, características não demonstradas por Buemi na GP2 surgiram, de repente, na Fórmula 1, contra todas as previsões. A ponto de levar o companheiro de equipe, o experiente francês Sebastien Bourdais, de 30 anos, a viver um drama, por não conseguir acompanhar seu ritmo. Fala-se até que poderá ser substituído se a diferença de desempenho entre ambos prosseguir tão flagrante.

Mas o que faz um europeu transferir residência para o Oriente Médio enquanto disputa a Fórmula 1? A propaganda que o tio Umberto lhe fez de Manama. Ele trabalha para o maior banco suíço, o UBS, com investimentos em Bahrein. O pai e o tio são italianos, da Sicília. O interesse pelo automobilismo, no entanto, vem do lado materno. O avô, Georges Gaschnang, foi piloto de carros de turismo nos anos 60. Buemi disse que, aos 78 anos, irá vê-lo correr em Mônaco, dia 24 de maio.

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