Button, a regularidade notável de sempre

liviooricchio

18 de abril de 2010 | 23h56

19/IV/10

GP da China

Livio Oricchio, de Xangai

 

  Campeonato muito disputado, como o deste ano, é assim: em uma etapa o piloto e a equipe estão na frente enquanto já na seguinte várias colocações atrás. A vitória impecável de Jenson Button, da McLaren, ontem, no disputadíssimo GP da China, como havia feito também na Austrália, no seco e no molhado, o lançou à liderança da competição. Já o fraco desempenho de Felipe Massa, da Ferrari, o fez cair do primeiro para o sexto lugar.

  Se pudesse, Bernie Ecclestone, promotor da Fórmula 1, mandaria instalar um esguicho de água em cada curva dos circuitos do calendário. As provas em Melbourne, dia 28, e Xangai, ontem, estão dentre as mais emocionates do seu evento. Principalmente porque choveu durante a corrida. A exemplo da escolha acertada dos pneus na Austrália, Button decidiu não parar nos boxes, ontem, para substituir os secos pelos intermediários, ainda na segunda volta, como fez a maioria. E isso se mostrou decisivo para conquistar sua segunda vitória na temporada, em apenas quatro etapas realizadas. Não poderia, porém, errar. E quando o que se exige é regularidade, Button não decepciona ninguém.

  “Toda conquista é maravilhosa, mas esta é especial”, afirmou o atual campeão do mundo, agora com 60 pontos, diante de 50 de Nico Rosberg, da McLaren, terceiro no GP da China, com excelente desempenho. Michael Schumacher, seu parceiro, terminou em décimo. Especial para Button em razão de, mais uma vez, contrariar o que no seu próprio país se dizia: seria destruído pelo companheiro de McLaren, Lewis Hamilton. E, em Xangai, Hamilton classificou-se em segundo, atrás de Button.

  Mas o jovem inglês deu um show: no fim da terceira volta (a prova teve 56), com as paradas para a primeira troca de pneus, Hamilton caiu para 14.º. A partir daí, mostrou o superpiloto que é também. Explicou o motivo e não ter se mantido na pista, como Button, no início. “Eu não entendi direito a comunicação da equipe, por rádio. Estava próximo da entrada do box e achei que a ordem era para entrar. Virei o volante no último momento.” Button, provavelmente, ganhou a corrida aí.

  Mas Button precisou, ainda, de outra ajudinha, sem tirar seus imensos méritos: Rosberg liderava, também sem substituir pneus, até cometer um erro, permitir a aproximação de Button e a ultrapassagem. Sua Mercedes não tinha, contudo, o ritmo da McLaren. “Demos um grande passo adiante com as mudanças introduzidas aqui. E para Barcelona serão ainda maiores. Reduzimos bastante a diferença para nossos adversários.”A próxima etapa do campeonato será o GP da Espanha, dia 9, e todos vão apresentar importantes novidades nos carros.

  Além de Hamilton, a prova no circuito de Xangai teve outro piloto que ultrapassou quase todos que apareciam a sua frente: Fernando Alonso, da Ferrari. Sua largada parecia ter sido fenomenal, mas se antecipou aos faróis apagarem. “Foi inadmissível. Eu treino, me concentro muito para reagir no momento certo, queimei a largada pela primeira vez na carreira.” Isso o custou um drive-through, passagem pela área dos boxes, e a perda de várias colocações. Era o 15.º na 17.ª volta.

  A garra que caracteriza Alonso o levou a lutar pelo terceiro lugar com Rosberg nas voltas finais. Acabou em quarto. Nesse caminho foi desleal com Massa ao ultrapassá-lo na entrada de box (leia à parte) na 20.ª volta. Alonso elogiou a McLaren: “Eles não têm o melhor carro e lideram os dois campeonatos. Souberam aproveitar as oportunidades. Já nós fizemos menos do nosso potencial.” Entre os construtores a McLaren soma 109 pontos diante 90 da Ferrari, segunda colocada.

  Além de Massa em nono, o Brasil teve Rubens Barrichello, Williams, em 12.º, Bruno Senna, Hispania, em 16.º, e Lucas Di Grassi, Virgin, que abandonou com problemas de embreagem.

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