Button garante ter tratamento igual ao de Hamilton na McLaren. "Mas nunca se sabe"

liviooricchio

17 de abril de 2010 | 08h23

17/IV/10

GP da China

 Livio Oricchio, de Xangai

 Ele não aparece em nenhuma lista de candidatos ao título, mesmo no seu país, a Inglaterra, apesar de ser o atual campeão do mundo, Jenson Alexander Lyons Button. Antes de a temporada começar, para boa parte dos ingleses Lewis Hamilton, seu companheiro na McLaren e campeão de 2008, venceria a disputa entre ambos sem dificuldade.

Mas depois de três etapas, quem está na frente é Button, contra a previsão britânica: terceiro no campeonato, com 35 pontos, diante de 31 de Hamilton, quarto. Felipe Massa, da Ferrari, lidera, 39. Nessa entrevista exclusiva ao Estado, Button fala primeiro do GP da China, amanhã, da luta particular com Hamilton e de seus dez anos de Fórmula 1.

A etapa no Circuito Internacional de Xangai é a quarta do calendário. “Não tivemos até agora um carro tão rápido”, afirma Button, cheio de vontade de que hora da largada chegue logo. O GP da China será disputado em 56 voltas no veloz traçado de 5.451 metros, com largada às 4 horas (horário de Brasília) e transmissão ao vivo pela TV Globo.

“Acredito que aqui, em condições normais, vamos estar lutando pela vitória com Red Bull e Ferrari. Sentimos menos a baixa temperatura”, comenta. A previsão meteorológica indica elevada possibilidade de chuva. E Button ganhou o GP da Austrália, segundo do ano, no asfalto molhado. Ao decidir trocar a campeã Brawn GP, atual Mercedes, pela McLaren, muita gente acreditou que Button cometeu o maio erro da vida. Teria de compartilhar a equipe com um excepcional piloto, Hamilton, e que cresceu dentro do time.

 “Nunca é fácil começar a trabalhar numa equipe onde o outro piloto já está há um bom tempo, mesmo sendo campeão do mundo”, diz Button. “Mas até agora não senti nenhuma diferença entre a atenção a Lewis (Hamilton) e eu. Pode ser que seja verdade (a preferência a Hamilton), mais para a frente, nunca se sabe.” Não deixou de manifestar se sentir um pouco atingido com a imprensa de seu país, para quem Hamilton o iria massacrar na McLaren.

“Sim, para muitos eu teria enorme dificuldades nessa relação. Mas é sempre assim, há boas e más reportagens. Se você lê muito um dia se sente lá em baixo e no outro nas nuvens.” E como que lembrando aos críticos, Button destaca sua vitória na segunda corrida na McLaren, o que Hamilton ainda não fez este ano. “Esse resultado foi importante para mim.” E explica: “Mostrar liderança no grupo é fundamental, suas decisões são ouvidas visando o crescimento do time e eu também já fui campeão do mundo”, comenta Button.

 Parece que sua luta inicial foi vencida: demonstrar à McLaren também ser capaz de enfrentar a forte concorrência de Sebastian Vettel, da Red Bull, Felipe Massa e Fernando Alonso, Ferrari, seus maiores adversários, além de Hamilton. “Eu ainda não estou produzindo o meu máximo. O carro da McLaren é bastante diferente de tudo o que pilotei até agora, em especial os freios, mas logo eu chego lá”, garante, autoconfiate depois de ver que a situação dentro da escuderia está tomando rumo distinto da prevista por muitos na Inglaterra.

 No começo da carreira na Fórmula 1, Button pilotou para Flavio Briatore, na Benetton, em 2001. “O ano mais difícil da minha carreira na Fórmula 1.” No GP de Mônaco, Briatore afirmou à imprensa: “Jenson não pensa mais na Fórmula 1, sua preocupação agora é aquela”, apontando um iate no porto, onde estava o piloto. “Não tinha experiência com carros ruins. No ano anterior, na Williams, minha estreia, estava com 20 anos e o carro era bom, quase não precisava ajustes.”

 Ao passar para a Benetton, em razão de Frank Williams tê-lo substituído por Juan Pablo Montoya, Button era “imaturo”, como se definiu. “Não estava acostumado a trabalhar com gente que quando as coisas não vão bem te ameaça com o dedo na cara”, lembra Button, referindo-se a Briatore. “O que ele não fala é que o carro não tinha direção hidráulica e em Mônaco eu não podia ser mais veloz porque minhas mãos estavam em carne viva.”

Giancarlo Fisichella, seu companheiro na Benetton, marcou 8 pontos no campeonato, Button, 2. “Reconheço, também, que fiquei meio fascinado com a mudança drástica e repentina na minha vida.” Em outra conversa com a imprensa, esse piloto inglês de 30 anos, simpático, gentil, de origem bastante simples, comentou: “Um ano e meio antes eu precisei comprar ingresso para assistir da arquibancada ao GP da Grã-Bretanha, quando ainda estava na Fórmula 3. De repente, em um ano e meio estava no meu segundo contrato na Fórmula 1.” E já tinha seu iate no porto de Mônaco, aos 21 anos.

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