Caça de Mosley a Briatore é antiga

liviooricchio

17 de setembro de 2009 | 21h41

16/IX/09
Livio Oricchio

Em 1995, Max Mosley, presidente da FIA, reconheceu não ter como comprovar o uso do controle de tração de algumas equipes desde a temporada anterior. Com cada time produzindo sua própria central eletrônica de gerenciamento do motor, era possível esconder o recurso. Mosley referia-se com clareza à Benetton de Flavio Briatore, campeã do mundo.

Em 1994, também, o italiano liderou uma greve no GP da Espanha, logo depois da morte de Ayrton Senna, por não concordar com as mudanças impostas pelo presidente da FIA, que desejava aumentar a segurança dos carros e dos circuitos. Mais: Briatore ordenou Michael Schumacher não respeitar a bandeira de exclusão do GP da Grã-Bretanha por não respeitar a regra de não poder ultrapassar o pole position na volta de apresentação.

A luta de Mosley para pegar Briatore é, como se vê, antiga. Naquela temporada, seu time retirou ainda um filtro do equipamento padrão da FIA para reabastecer os carros, a fim de aumentar a vazão, e a Benetton explodiu em chamas no GP da Alemanha. Mas sempre Briatore encontrava um jeito de escapar de uma punição mais severa por parte da FIA.

O recente conflito entre a entidade e a associação das equipes, Fota, é outro exemplo de confronto entre Mosley e Briatore. As mais duras críticas à postura e proposta de Mosley vieram de Luca di Montezemolo, da Ferrari, e Briatore.

Mosley certamente deixaria a presidência da FIA, mês que vem, frustrado por não ter conseguido ver Briatore distante da Fórmula 1 como fez, por exemplo, com Ron Dennis, também seu desafeto. E tudo caminhava para nova frustração de Mosley se tudo se resumisse, segunda-feira, no julgamento de Paris, à apresentação das provas contra Briatore, o diretor de engenharia, Pat Symonds.

A telemetria do carro de Nelsinho Piquet e a gravação das conversas durante o GP de Cingapura do ano passado não constituíam provas capazes de incriminá-los, segundo técnicos da própria Fórmula 1. Quando Nelson Piquet foi procurar Mosley, logo depois do GP da Hungria e Nelsinho ser dispensado por Briatore, para contar o que aconteceu no GP de Cingapura do ano passado, o dirigente inglês deve ter se sentido recompensado por esperar tanto tempo: é agora. E foi mesmo.

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