Calor de quase 40 graus pode mudar tudo no GP da Austrália

liviooricchio

13 de março de 2008 | 08h49

13/III/08
Reportagem de F-1: Apresentação dos treinos classificatórios
GP da Austrália
Livio Oricchio, de Melbourne

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O primeiro e verdadeiro confronto de velocidade entre a Ferrari, de Felipe Massa e Kimi Raikkonen, e a McLaren, de Lewis Hamilton e Heikki Kovalainen, dentre outras equipes, será amanhã, à meia noite, horário de Brasília. Os 22 pilotos que disputam a etapa de abertura do Mundial, em Melbourne, participam da sessão classificatória do GP da Austrália. E há uma preocupação geral, tão séria que é capaz de proporcionar um resultado bem diferente do esperado: o inesperado calor de quase 40 graus.

“Os pneus que a Bridgestone trouxe aqui para o circuito Albert Park são os mesmos do ano passado, quando a temperatura foi de 26 graus”, disse Fernando Alonso, da Renault. “É uma diferença muito grande”, falou o espanhol. “Podemos ter um grid e principalmente uma corrida bastante distintos da imaginada pelos testes da pré-temporada”, explicou Rubens Barrichello, da Honda. “O desgaste dos pneus é maior com esse calor e agora sem o controle de tração esse problema se tornará ainda mais sério.”

A tomada de tempo para o grid é a única hora em que todos estão na mesma condição, ao menos nas duas primeiras partes, já que os pilotos utilizam pneus novos e gasolina no tanque apenas para a volta lançada. A sessão da prova de Melbourne mostrará qual o estágio de cada carro no quesito velocidade pura. Coisa que os testes de janeiro e fevereiro apenas ofereceram indicações do que está o ranking dos modelos 2008.

“É a hora da verdade para muita gente”, afirma Rubinho. Até para seu próprio time comprovar o que o novo diretor, Ross Brawn, disse a respeito da evolução do modelo RA108 após o teste de Jerez de la Frontera, Espanha, semana passada.

“O desafio de fazer os pneus resistirem é o mesmo para todos, mas confio na capacidade dos nossos técnicos”, contou, quinta-feira, o campeão do mundo, Kimi Raikkonen. Ontem foram realizadas duas sessões de treinos livres que serviram já para o levantamento de dados para a prova que poderá ser a mais difícil no ano para os pneus. “Acho que vamos ver gente com dificuldade para controlar o carro quando os pneus se desgastarem”, comentou Felipe Massa. O piloto da Ferrari referia-se mais às 58 voltas da prova, domingo, no traçado de 5.303 metros.

“É uma variável nova com a qual ninguém contava”, diz Nelsinho Piquet, da Renault. “Até mesmo a Ferrari e a Toyota, que foram testar em Bahrein, também não pegaram muito calor”, comentou. O vice-campeão do mundo, Lewis Hamilton, reforçou a idéia de a corrida no Albert Park poder surpreender: “Trabalhamos no máximo com 26 graus, sendo a maior parte do tempo abaixo disso. É uma situação nova que terá de ser observada pelos engenheiros.”

Há novidades no formato da sessão de classificação. No final, quando apenas os dez mais rápidos disputam as dez melhores colocações no grid, agora serão dez minutos em vez de 15 e o reabastecimento, depois do treino, proporcional às voltas completadas, deixa de existir. Os pilotos vão iniciar a prova, no dia seguinte, com a gasolina que sobrou no tanque. É mais uma variável no pouco previsível GP da Austrália.

FIM

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