Chances de Vettel ser tri nos EUA cresceram

liviooricchio

17 de novembro de 2012 | 20h22

17/XI/12

Livio Oricchio, de São Paulo

Ultrapassar Nico Hulkenberg, da Force India, sétimo no grid, Felipe Massa, Ferrari, sexto, Michael Schumacher, Mercedes, quinto, e Kimi Raikkonen, Lotus, quarto. Esse é o enorme desafio de Fernando Alonso, companheiro de Massa, hoje, ao longo das 56 voltas do GP dos EUA, em Austin. O espanhol começa a corrida em oitavo e precisa receber a bandeirada no mínimo em quarto para Sebastian Vettel, da Red Bull, o pole position, não ser campeão, caso ratifique hoje o grande favoritismo demonstrado até agora no Circuito das Américas e vença a 19.ª etapa do calendário.

O atual bicampeão do mundo disse, ontem, que disputará a prova pensando apenas no seu desempenho. “Temos de olhar para nós mesmos. É a melhor estratégia para realizarmos o nosso trabalho.” A receita foi utilizada pela Red Bull para Vettel conquistar seu primeiro título mundial, em 2010, no GP de Abu Dabi. Venceu, como se espera que o faça hoje também, e depois seu engenheiro, Guillaume Rocquelin, lhe informará a posição de Alonso, como fez no circuito Yas Marina. “Vamos deixar nosso piloto concentrado no que tem de fazer na pista.”

Apesar de largar em oitavo e não demonstrar em nenhum instante até agora velocidade para superar a Red Bull, Alonso não hesitou em repetir o que vem dizendo nas últimas etapas: “Tenho a sensação de que amanhã reduzirei a diferença para Sebastian, que é o que mais conta”. O espanhol soma 245 pontos diante de 255 do alemão. Depois do GP dos EUA, os pilotos viajam para São Paulo onde domingo, dia 25, já largam na última prova do campeonato.

Alonso conta com um azar de Vettel. O piloto da Red Bull vem de quatro vitórias e um terceiro lugar, em Abu Dabi, depois de largar em último. “Assim como já aconteceu conosco, uma hora ele também terá algum inconveniente.” Falou mais: Sebastian tem um ritmo muito bom, mas a corrida será longa e vou procurar aproveitar as oportunidades”. Declarações no mínimo indelicadas.

A Ferrari surpreende pela diferença entre o que é capaz nas sessões de classificação e depois na corrida. O fato associado ao imenso talento de Alonso explica como o espanhol ainda está na luta pelo título, diante de ter ficado tão para trás em relação à evolução da Red Bull depois do GP de Cingapura, quando o genial projetista da equipe, Adrian Newey, lançou uma nova versão do modelo RB8-Renault.

A largada do GP dos EUA será um momento mais decisivo do que já é na Fórmula 1. A natureza do asfalto associada às características dos pneus duros e médios da Pirelli e à temperatura não elevada no Texas reduziram a aderência dos carros. Massa demonstrou preocupação com o início da prova. “Quem largar no lado esquerdo do grid terá imensos problemas. Hoje (ontem) de manhã simulei a largada lá e eu era mais lento que se houvesse água no asfalto.”

Massa e Alonso saem do lado direito, por estarem em posições par, sexto e oitavo. Bruno Senna, da Williams, largará um pouco mais à frente das últimas etapas, 11.º, e como em corrida conduz com bem maior eficiência que nas definições do grid, pode marcar bons pontos hoje.

Essa diferença de velocidade entre os dois lados do grid somada à curva lenta no fim da reta, em acentuado aclive, sem visião para quem se aproxima, pode gerar o caos na primeira volta. A opinião é de Jenson Button, da McLaren, apenas o 12.º no grid. A notícia pode ser muito boa, porém, para o companheiro de Button, Lewis Hamilton, segundo no grid e com um tempo surpreendentemente próximo de Vettel, apenas 109 milésimos pior.

“Eu dei duas voltas lançadas e para minha surpresa a segunda foi ainda melhor. Não esperava ficar tão perto deles. No Q2 foram um segundo mais rápido. Não sei de onde tirei o meu tempo”, explicou Hamilton. As chances do inglês na prova serão provavelmente jogadas na largada. Se ultrapassar Vettel, poderia talvez pensar em manter-se na frente, já que os treinos demonstraram não ser fácil ultrapassar nos 5.516 metros do Circuito das Américas. O próprio Alonso já deixou no ar, ontem, contar muito com o que pode acontecer na largada para avançar na classificação. Como Hamilton, muito do que o espanhol poderá fazer no GP dos EUA será jogado no início da competição.

Para Vettel não celebrar a conquista do tricampeonato hoje e o GP do Brasil assistir à definição do Mundial pela sexta vez, as combinações de resultados são estas:

Se Vettel vencer, Alonso tem de se classificar no mínimo em quarto. No caso de Vettel ser segundo, Alonso deve receber a bandeirada no mínimo em oitavo. E se Vettel for terceiro, Alonso precisa terminar pelo menos em décimo. A quarta ou pior colocação de Vettel transfere para Interlagos a decisão do Mundial.

O SporTV transmite o GP dos EUA ao vivo, neste domingo, a partir das 17horas.

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