Circuito de Cingapura iluminado impressiona os pilotos. Posso? E o jornalista!

liviooricchio

24 de setembro de 2008 | 17h02

24/IX/08

Amigos:
Pousei por volta das 18 horas, ontem, quarta-feira, aqui em Cingapura, procedente de Frankfurt, 12 horas de vôo. De São Paulo à Alemanha foram outras 12. Tomei o chamado banho dos justos, fui comer com meus amigos Tatiana Cunha, da Folha, e Felipe Motta, Jovem Pan, e, na sequência, percorremos a pé, bem atrás do pessoal da equipe Renault, o espetacular circuito de 5.067 metros.

Por estar mais rápido que nós, Alonso passou e disse: “Brasil, boa noite”, em português. Sempre nos tratou com deferência. Estamos, sempre, também, nas rodas de entrevista com os espanhóis e, com regularidade, lhe fazemos perguntas. Junto estavam Nelsinho Piquet e Lucas Di Grassi, em companhia de Pat Symonds, Denis Chevrier e outros técnicos, um pouco mais atrás.

Agora são para mim exatamente 4 horas, o que dá 17 horas de Brasília. Estou 11 horas adiante. Sono? Zero! Aliás, teremos de pensar bem como será nossa cobertura em razão dos horários completamente distintos do que fiz nos meus 20 anos de Fórmula 1.

Enviei ainda há instantes o texto a seguir para as redações do Estadão e Jornal da Tarde. É um resumo do que absorvi aqui. Teremos muito o que conversar no fim de semana. Estou impressionado com o circuito. Nem tanto pelo traçado, mas com o cenário, a iluminação, a beleza do local, embora já cá estive. A Fórmula 1 tornou a cidade ali na área do porto ainda mais bonita.

Abraços, amigos!

Livio Oricchio, de Cingapura

O GP da Bélgica finalmente acabou. Felipe Massa foi reconfirmado como vencedor, Lewis Hamilton, terceiro colocado, terça-feira, no Tribunal de Apelo da FIA, e está mesmo apenas um ponto atrás do inglês, 78 a 77. O assunto agora na Fórmula 1 é a estréia de Cingapura no calendário do Mundial, a primeira corrida noturna na história da competição. Os treinos livres começam amanhã a partir das 8 horas, horário de Brasília, mas já ontem alguns pilotos tiveram o primeiro contato com a pista iluminada: “Disputei várias provas à noite na Cart, mas nunca vi nada como esta aqui”, disse o francês Sebastien Bourdais, da Toro Rosso, equipe vencedora da última etapa, em Monza.

O trabalho realizado na montagem do circuito de 5.067 metros impressiona. A iluminação eficiente, ao menos para quem percorre a pé o traçado, torna a obra ainda mais bela. É certo também que o cenário ajuda. A pista tem como pano de fundo a maior roda-gigante do mundo, Singapore Flyer, com 165 metros de altura. Aliás, quem desejar acompanhar as 61 voltas da corrida de uma das elegantes gaiolas da roda-gigante, domingo às 20 horas (9 de Brasília), pode comprar os ingressos, ainda, com preços que variam de 150 a 500 dólares de Cingapura (cerca de R$ 200,00 e 650,00).

A maioria dos pilotos desembarcou ontem na cidade-estado. Por volta das 22 horas local (11 horas adiante em relação a Brasília), Fernando Alonso, Nelsinho Piquet e Lucas Di Grassi, os pilotos da Renault, percorreram a pé as 23 curvas do Marina Bay Circuit. A maior preocupação demonstrada por eles, assim como de Bourdais, foi com a chicane da curva 10. A pista tem asfalto uniforme e é larga, mas naquele ponto se estreita demais, para permitir a passagem de um carro apenas. “Instalaram um blocos atrás da zebra, para os carros não cortarem a chicane. Mas se alguém passar sobre eles será lançado no ar e baterá na grade”, comentou Di Grassi. “Acredito que vão mudar já para o treino livre”, explicou.

Massa chegou terça-feira e a imprensa local publicou, ontem, uma declaração do piloto da Ferrari. “Não conheço ainda o circuito, mas pelo que compreendi das simulações será mais difícil ultrapassar que em Valência”, afirmou. A cidade espanhola também estreou no Mundial, este ano, com um traçado que pouco lembrava os tradicionais de rua, o que não é o caso de Cingapura. “A maioria das curvas é de segunda marcha”, falou Nelsinho Piquet, embora haja pontos de elevada velocidade da mesma forma que Valência.

Enquanto percorriam o Marina Bay Circuit os pilotos iam se deliciando com a vista. O traçado passa, por exemplo, sobre o rio Cingapura que corta a cidade, por isso há uma ponte de ferro, de rica arquitetura, Anderson Bridge. Mais: tangencia o porto com águas do Oceano Índico, desfila em frente a edifícios clássicos, como da antiga Alta Corte Suprema e deixará os espectadores assustados na arquibancada ao compreenderem que os carros se deslocam sob eles, dentre outras distinções do circuito asiático.

O que poderia ser motivo de preocupação, competir a 300 km/h à noite, ao menos até agora só gerou elogios dos pilotos. “Parece dia na pista”, disse Bourdais. “Será como correr de dia”, também proferiu Nelsinho, enquanto conhecia o Marina Bay, sob temperatura de 26 graus, às 22 horas. Durante o dia chegou a 32 graus e é a previsão para o fim de semana, embora haja, como sempre, possibilidade de chuva por Cingapura estar quase no equador, 1 graus e 22 minutos norte.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.