Classificação e corrida serão bem diferentes das anteriores

liviooricchio

27 de maio de 2011 | 09h10

26/V/11

Livio Oricchio, de Mônaco

  Até agora, este ano, as sessões de classificação e as corridas foram bem distintas das dos últimos anos. Apesar de pilotos e equipes reconhecerem a importância de obter uma boa colocação no grid, o desenvolvimento das provas mostrou que hoje é possível largar lá atrás e chegar ao pódio. Muitas ultrapassagens e pit stops caracterizam a temporada. Tudo isso, porém, não vale para o GP de Mônaco.

  Os treinos livres de ontem deixaram vários ensinamentos para a sequência do fim de semana nas ruas do Principado, sexta etapa do campeonato. “Vencer aqui vai ser um imenso desafio”, definiu Sebastian Vettel, da Red Bull, primeiro colocado na Austrália, Malásia, Turquia e Espanha. Na China ficou em segundo. “As características do traçado permitem que os adversários possam estar na nossa frente. A classificação será fundamental”, prevê o líder destacado do Mundial.

  Ontem o atual campeão do mundo simulou parte da corrida com os pneus supermacios, pela primeira vez usados este ano depois dos testes de inverno. Mas ontem, na sessão da tarde,  a temperatura do asfalto era de 44 graus Celsius e não 16, como estava em Barcelona e acompanhei de perto. Vettel completou 20 voltas com o supermacio, sendo que a pista estava longe do volume de borracha que haverá até domingo, com as provas da GP2, World Series e Porsche Cup, o que deverá melhorar ainda mais o desempenho dos carros pela elevação da aderência e menor consumo dos pneus. 

  Depois de cerca de 15 voltas, ontem, os tempos do piloto da Red Bull caíram significativamente, mas de qualquer forma, mesmo que, por exemplo, Alonso ou Hamilton estivesse logo atrás, numa condição de pneu melhor, podendo utilizar o flap móvel e o Kers, ainda assim a ultrapassagem seria bastante difícil. Esse é o quadro realista que dá para imaginar para as 78 voltas da prova, domingo.

  Como tudo é diferente em Mônaco, hoje não há atividade de pista para a Fórmula 1. Os carros voltam ao circuito de 3.340 metros e 19 curvas sábado pela manhã. Hoje é dia para muitos convidados das equipes, a maioria investidores em potencial, conhecerem melhor os encantos da Fórmula 1.

   Algumas mantêm barcos no porto, próprios ou alugados, para recebê-los. Muitos dos acordos comerciais são costurados nos dias do evento no Principado. “O glamour do GP é um importante elemento para convencer empresas a tornarem-se nossos patrocinadores”, costuma dizer Eddie Jordan, ex-proprietário de equipe, hoje comentarista de TV. “Se havia alguma dúvida sobre se valia a pena ou não investir na Fórmula 1 essa corrida acaba com ela”, afirma o irlandês.

  Voltando ao discurco dos pneus: “A degradação não é elevada. Penso que teremos duas paradas no máximo”, afirma Fernando Alonso, da Ferrari, o mais rápido, ontem. Vettel complementa: “Não há diferença grande de desempenho entre os pneus macios e supermacios, razão principal de tantas ultrapassagens este ano”. Diz mais: “Será um GP de Mônaco semelhante aos demais e diferente das provas deste ano, pois assistiremos a bem poucas ultrapassagens também.”

  O sistema de recuperação de energia (Kers), com seus 80 cavalos extras de potência, e o flap traseiro móvel, capaz de elevar a velocidade no final das retas, interferem bem menos no desempenho nas ruas de Mônaco. “Isso associado aos pneus de comportamento normal vai fazer com que os pilotos da primeira fila no grid tenham uma grande chance de vencer, como sempre foi aqui”, comenta Nico Rosberg, da Mercedes, terceiro, ontem, e cidadão monegasco, apesar das cidadanias alemã e finlandesa.

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