Classificação emocionante. E a corrida não deverá ser diferente.

liviooricchio

15 de março de 2008 | 05h39

Oi amigos:

Vamos bater um papo sobre a classificação do GP da Austrália?

Senhores, como já disse, não sou advogado de defesa de ninguém, em especial de piloto de Fórmula 1, para quem a imprensa tem seu valor lá bem distante, mas jogar álcool e pôr fogo no Nelsinho pelo que aconteceu aqui em Melbourne, como faz você, Eduardo, sugere ser mais traço de alguma descompensação psicológica que resultado de análise técnica.

A própria equipe esperava mais dele, embora compreenda o que se passou em razão do que enfrentou no fim de semana até agora. Nelsinho estava visivelmente nervoso sexta-feira e seu erro deve ser relacionado ao fato. Uma coisa é você chegar lá sem que o pai tenha histórico de sucesso na competição. Outra é você, aos 22 anos, saber que o mundo do automobilismo está vendo outro Nelson Piquet na pista. E você o representa.

Nelsinho andou pouco sexta-feira e hoje, sábado. No primeiro treino experimentou um problema no câmbio, a ponto de precisar ser substituído. Na sexta-feira é permitido, sem punição. Depois, ao acertar o carro, seus mecânicos enfrentaram dificuldades para substituir a barra de torção. Perdeu tempo precioso parado. Não aprendeu a pista e tampouco ajustou seu carro aos 5. 303 metros.

Ainda assim, passaria para a Q2, a segunda fase da classificação, onde ficou seu companheiro, Fernando Alonso, não fosse a bandeira amarela no último setor da pista, na saída da curva 12, por causa de Adrian Sutil rodar. Nelsinho abortou sua última tentativa. As parciais da volta indicam que poderia ficar em 15º se fizesse o último setor um pouco melhor do que havia feito, possível por estar com novos pneus macios.

Mas isso faz parte do passado. O que Nelsinho tem a fazer é aprender com a situação profundamente desgastante que vive no circuito Albert Park. E, para complicar, sua postura com a imprensa internacional não tem sido das melhores. Suas repostas soam, por vezes, agressivas. E, nesses casos, basta um erro para vários colegas da mídia rirem dele na sala de imprensa. O que, expresso, me incomoda.

O que dá para afirmar, sem receio de incorrer em erro, é que Nelsinho, pelo que vi onde correu, é mais do que assistimos até aqui em Melbourne. O quanto, ninguém sabe. Uma boa corrida amanhã, consciente, tranquila, sem erros, visando essencialmente receber a bandeirada, ajudará a reverter a má impressão deixada na estréia na Fórmula 1, apesar de todos as atenuantes. Ah, óbvio, ser mais profissional com a imprensa.

A TV não mostrou, mas Felipe Massa não realizou um grande trabalho na sua primeira volta lançada no Top Ten. Ficou em terceiro. E sequer realizou a segunda tentativa. “Precisamos de uma volta de aquecimento de pneus mais rápida da que dei. O tráfego me impediu de ser mais veloz.” Com os pneus não atingindo a temperatura ideal, não seria possível explorar todo o potencial da sua Ferrari. Recolheu o carro para o box e economizou uma volta de gasolina.

O que me chamou a atenção nisso tudo nem foi a pane na bomba de gasolina da F2008 de Kimi Raikkonen que o fará largar em 16º, mas a dificuldade de a Ferrari atingir a temperatura dos pneus. A equipe não parece tão bem em classificação como a McLaren, a exemplo de 2007. Imagine se tivermos safety car na pista. As voltas que se seguirão, pelo que o próprio engenheiro-chefe, Luca Baldisseri, afirmou, serão difíceis para Massa e Raikkonen. O ritmo do F2008 em corrida, no entanto, é o melhor de todos.

O mais gostoso do treino que definiu o grid foi a embaralhada nas cartas que parece ter ocorrido este ano na Fórmula 1. Entre o tempo de Lewis Hamilton na Q2, 1min25s187, primeiro, e o de Fernando Alonso, 1min26s188, o 12º, há um segundo. E nele estão McLaren, a surpreendente BMW, Ferrari, Toyota, Williams, Red Bull e a valente Toro Rosso.

Torço pelo sucesso de Robert Kubica. É um batalhador como poucos. Um jovem de 23 anos que conversa com as pessoas como qualquer cidadão. E se expõe com espontaneidade e sinceridade desarmantes. A BMW foi além do que ele imaginava, conforme nos disse nas sempre animadas conversas informais, junto de seu empresário, Daniele Morelli. Kubica fala italiano fluente, a língua desses encontros.

Bravo Rubinho! Foi só ter um carro razoável na mão para mostrar que está muito interessado ainda na Fórmula 1, ao contrário do que se imagina. Um décimo de segundo a menos na volta o levaria ao Top Ten. Depois do que vimos nos testes de janeiro e fevereiro, você imaginava algo do gênero?

Queria lembrar que a Q2 é a hora em todos dão o máximo de si e do equipamento em condição igual, ou seja, gasolina apenas para aquela volta lançada. Em termos de velocidade, é a seção mais representativa da sessão de treinos classificatórios. Isso porque na Q3 entra em cena a gasolina que ficará no tanque na largada. O que nunca me agradou. O cara é pole e você não sabe se ele é mesmo o mais veloz. Não faz sentido.

Vi hoje de manhã parte do treino no meio do circuito, no trecho das velozes curvas 11 e 12, na realidade um S de alta. Impressionou que estava lá a maneira equilibrada com que Nico Rosberg percorria as duas curvas. Afirmo e atesto: o FW30 é muito bom de aerodinâmica. Claro que não é só isso, sei, para a aerodinâmica funcionar você precisa de suspensões compatíveis, motor eficiente, mas o pacote aerodinâmico do FW30 destaca-se no projeto.

O que espero da corrida vou escrever em outro post, amanhã, senão este aqui ficará ainda mais irrealmente longo.
Abraços!

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