Classificação espetacular, mas Vettel larga na pole de novo

liviooricchio

27 de agosto de 2011 | 13h39

27/VIII/11

Livio Oricchio, de Spa

  O cenário mudou, Spa-Francorchamps, pista à moda antiga, larga, veloz, desafiadora. O clima também variou, chuva, garoa e tempo seco, no final. O que não alterou foi o autor da pole position, ontem na Bélgica: Sebastian Vettel, da Red Bull, atual campeão do mundo e líder do campeonato. Foi a nona pole, este ano, em 12 disputadas. Mas além de um treino empolgante, a sessão que definiu o grid mostrou um Bruno Senna espetacular na sua volta à Fórmula 1, agora na Renault, com o sétimo tempo, o piloto do dia em Spa, e Felipe Massa, Ferrari, quarto, de novo na frente do companheiro, Fernando Alonso, oitavo.

  Como manda a tradição das provas no circuito favorito da maioria dos pilotos, as condições do tempo variaram, deixando-os, bem como suas equipes, sem saber ao certo o que fazer, qual pneu utilizar: o de asfalto para chuva intensa, os do tipo intermediário ou arriscar tudo com os de pista seca. Para não se mencionar os elevados riscos de decisões equivocadas: velocidades superiores a 300 km/h são comuns nos 7.004 metros do belo traçado belga.“Foi uma sessão bem difícil, estava fácil errar. Por isso estou muito contente com essa pole (24.ª da carreira)”, disse Vettel, que registrou 1min48s298.

  Lewis Hamilton, da McLaren, combativo como sempre, levou sua McLaren à segunda colocação, superando o companheiro de Vettel, o aniversariante e de contrato renovado para 2012, Mark Webber, terceiro.

  Vettel fez festa ontem, mas sabe que hoje terá de dar tudo certo para voltar a vencer uma corrida. As últimas três vitórias ficaram com Ferrari, Inglaterra, com Alonso, e McLaren, Alemanha, Hamilton, e Hungria, Jenson Button. A facilidade de cometer um equívoco, ontem, levou a McLaren a chamar Button para os boxes antes de terminar o Q2, segunda parte da classificação, acreditando estar garantido no Q3, enquanto a maioria melhorou. Resultado: Button, um dos candidatos à vitória, larga em 13.º. Ficou mais difícil.

  Hamilton comentou seu treino: “Não tivemos a chance, aqui, de compreender bem o quanto avançamos, por causa da chuva o tempo todo, mas vencer de novo é uma realidade para nós”. Não exagerou. No ano passado venceu em Spa. O inglês campeão do mundo de 2008 recebeu apenas uma advertência por se envolver num incidente com o venezuelano Pastor Maldonado, da Williams. Hamilton perdeu tempo atrás dele na última curva, antes da reta dos boxes, ao final do Q2, e o fechou depois da bandeirada, deu o chamado “chega prá lá”. Maldonado não só revidou como tocou a Williams na McLaren, que seguiria no treino, no Q3. O venezuelano perdeu cinco colocações no grid e larga, agora, em 21.º. Ficou no ar a sensação de que Hamilton também deveria ser penalizado.

  Webber sabe que não será fácil para a Red Bull se impor, ao menos como antes. “Amanhã (hoje) a pista deve estar seca, segundo a previsão. Se confirmada, pode ser um pouco melhor para nós, embora esses caras aqui (Hamilton, da McLaren) chegaram de vez.”

  A previsão meteorológica prevê que não deverá chover ao longo das 44 voltas da corrida, hoje. “Eu não colocaria dinheiro nisso”, afirmou Vettel. “Em geral somos surpreendidos aqui e penso que amanhã não será diferente.” Disse que o acerto dos carros, hoje, não muda muito se a pista está molhada, como ontem, ou provavelmente seca, hoje. Há quem pense de forma diferente e esse fator pode ser determinante, hoje, na corrrida, como Ross Brawn, diretor-técnico da Mercedes. Seus pilotos tiverem estão em colocações opostas no grid. Nico Rosberg demonstrou a eficiência de sempre, ao obter o quinto tempo, enquanto Michael Schumacher vai celebrar seus 20 anos de Fórmula 1 largando em 24.º e último. No Q1, ainda, seu carro aquaplanou e bateu na grande reta.

  Quem pode entrar nessa luta pela vitória com Vettel, Hamilton e Webber, além de Massa, é Alonso, apesar de largar apenas em oitavo. “No melhor momento da pista perdi tempo. Enfrentei tráfego, como Perez (Sergio Perez, da Sauber), mais lento na minha frente”, explicou o espanhol. De qualquer forma, sua perspectiva, hoje, é boa: “A temperatura deve subir, teremos menos dificuldades para aquecer os pneus, um problema para nós, como hoje, com a chuva”.

  Outro time que cresceu com os novos componentes levados à Bélgica foi a Toro Rosso. Jaime Alguersuari, em ascensão, completou excelente volta para estabelecer o sexto tempo da classificação.

  Se Alonso olhar para trás, verá que a história do GP da Bélgica, em Spa, registra surpresas que justificam seu otimismo com relação à corrida. Em 1995, Michael Schumacher, que celebra este ano 20 anos da estreia na Fórmula 1, no circuito belga, largou, com Benetton, em 16.º e ganhou a prova com uma vantagem de 19 segundos para o segundo colocado, Damon Hill, da Williams. A largada, hoje, será às 9 horas, horário de Brasília.

 

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